segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ingu o quê!?!

Fui surpreendido esta manhã por minha própria ignorância.
Um daqueles títulos que ficam rolando pela página no link Em cima da hora da Folha Online indicava que o número de mortos em atentado suicida na Inguchétia chegava a 18, e eu me peguei perguntando: Ingu o quê!?!
Confesso que nunca tinha ouvido falar na Inguchétia, e ficaria ainda mais envergonhado se um de meus poucos mas eruditos leitores me interpelasse, supreso: como assim nunca ouviu falar da Inguchétia, aquela república ao lado da Chechênia?!
Pois assumo meu apedeutismo político-geográfico, mas me permito questionar: não era melhor e muito mais simples quando essas míseras pequenas repúblicas no leste europeu faziam parte de uma grande, respeitada, rica e temida União Soviética?
Melhor para nossa capacidade de decorar nomes, quero dizer. Senão, vejamos: com a extinção da URSS, os alunos do ensino fundamental viram-se obrigados a estudar separadamente uma batelada de pelo menos 15 nomes simples, que antes eram abrigados no coletivo soviético: Armênia, Azerbaijão, Bielorússia (hoje Belarus), Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Kirgiziya (hoje Quirguistão), Letônia, Lituânia, Moldávia (hoje Moldova), Rússia, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão.
Todos passaram a ter vida própria, história própria e nomes a ser lembrados na prática da decoreba, aquele método didático que faz parte da tradição educacional brasileira. Pergunta simples: como os estudantes, que mal conseguem guardar os nomes das capitais brasileiras, podem ser submetidos a esse tipo de tortura?
E isso era apenas parte do problema. Na verdade, esses 15 nomes citados há pouco fazem parte de um todo pouca coisa maior: em 1990, penúltimo ano de sua existência, a URSS contava com nada menos 20 repúblicas autônomas, oito províncias autônomas, dez distritos autônomos, seis regiões e 114 províncias.
A Chechênia foi uma das primeiras a ser lembrada nesse neo-leste europeu, ao declarar sua independência em 1991 e ser confrontada pela Rússia em 1994, ainda no tempo de Bóris Yeltsin. O separatismo checheno gerou mais separatistas, e hoje temos Ossétia do Norte e do Sul, Kabardino-Balcária, Daguestão e Karachay-Cherkessia, entre outras, além da até então desconhecida – para mim – Inguchétia. Não me espantaria se novos nomes surgissem de hoje para amanhã.
Passei a manhã desta segunda-feira pesquisando no Google sobre minha nova “descoberta” e encontrei na Wikipédia as seguintes informações, que faço questão de dividir com vocês:


A República da Inguchétia ou Ingúchia é uma divisão federal da Federação Russa (uma república), localizada na região do Cáucaso Norte. Os idiomas oficiais são o inguche e o russo. A sua capital é Magas, pequena cidade situada nos arredores sudeste de Nazran, que até recentemente foi a capital desta república.
A república é a menor divisão federal da Rússia, com a exceção das duas cidades federais, Moscovo e São Petersburgo. A Inguchétia é lar dos inguches, um povo de ascendência vainaque.
O nome "Inguchétia" deriva da antiga aldeia de Ongusht (renomeada em 1859 como Tarskaya e em 1944 transferida para a Ossétia do Norte) e do sufixo georgiano -eti, no seu todo significando "(terra) onde vivem os inguches".
A Inguchétia continua a ser uma das mais pobres regiões russas. O presente conflito na vizinha Chechénia chega ocasionalmente dentro da Inguchétia e a república tem sido desestabilizada por vários crimes, protestos anti-governo, ataques a funcionários e soldados, excessos militares e uma situação dos direitos humanos que se deteriora.

O blog Fala, Zanfra! é cultura. Ainda que tardia...

35 comentários:

Rui disse...

As míseras pequenas repúblicas,quando fazem parte das potentes federações,sentem-se preteridas na hora de dividir o bolo dos desvios de verbas,fraudes,etc.Então o que fazer?Separar-se e criar uma máquina estatal própria,cheia de vícios,para assim assumir o controle da farra sozinhos.Quantas vezes ouviu-se dizer que o mísero(cada vez mais)bairro de Perus queria transformar-se em município?É a descentralização da roubalheira
.

Recanto dos humildes disse...

Quantos bairros paulistanos ostentam o título de "Jardim" sem possuir sequer uma arvorezinha.No emancipacionista bairro de Perus,tem uma vilazinha horrível chamada "Recanto dos humildes".Ora,se nem mesmo na hora de batizar a invadida vila,puseram um nome que remetesse a um lugar mais bonitinho,dá para imaginar o aspecto do lugar.Poderia chamar-se "Casa do cara....",assim retrataria fielmente a realidade.

Anônimo disse...

Existem lugares neste planeta que não fazemos idéia. Existem lugares no Brasil, que talvez não tenham nomes tão estranhos, mas com certeza devem ser tão pobres ou subdesenvolvidos quanto este "Ungoseiláoquê"
Rosângela

Marco Antonio Zanfra disse...

Rui: e você já se refrescou na frondosa sombra da Praça da Árvore?

Marco Antonio Zanfra disse...

Rosângela: dizem as más línguas que quase metade da população da Inguchétia foi vitimada pelo atentado - 18 mortos e 69 feridos.

Vico disse...

Somos todos uns "apedeutas", como você mesmo disse - a começar por nosso presidente. Mas será que aquele seu amigo espanhol, que está logo ali pertinho daquela região, já tinha ouvido falar dessa república emergente?

Blog do Morani disse...

17/08/09

O Vico está aproximando demais a Espanha àqueles países do leste europeu; alguns dos apontados por você, Zanfra, se acham à borda da China, que é o caso do Quirghistão república pobre de caucasianos, que se vestem a moda de Genghis-Kan. O que tem de pobre em economia tem, em contrapartida, pujante natureza e agricultura satisfatória, rios e algumas florestas. O turismo tem baixa ocorrência. O país é rigoroso ao inverno e quente demais ao verão. O povo de sua capital - Bishkiek - queima seus lixos nas ruas, e para eles é uma festa. Minha filha Alice morou lá por quatro anos; sua casa de madeira tinha um quintal com nogueiras - que davam em abundância - castanheiras, macieiras e outro tipo de fruta desconhecida nossa. No penúltimo Natal comemos nozes e castanhas de lá; essas últimas não são muito saborosas. Apesar de tudo, o povo é alegre - embora aparentem sisudez - e se apressam a servir os estrangeiros de boa vontade. Em meio a estepe, você encontra as famosas casas circulares de flanela - bares e restaurantes. Tenho um gorro de flanela, todo circundado por florões bordados, vindo de lá. O que eu desejava mesmo era um daqueles de pelo de urso usados pelos "camaradas" dos filmes de espionagem. Agora, ao meu conhecimento não chegou ainda nada sobre essa república de nome esquisito: Inguchétia. É novidade, essa. Essa palavra de verificação está parecendo de origem inguchet - zygord. Será?

Marco Antonio Zanfra disse...

Blog do Morani também é cultura...

José Luiz Teixeira disse...

Zanfra é cultura. Como é que alguém pode viver sem saber de tudo isso sobre os "inguches"????

Eliz disse...

Oi Zanfra,

Desde o atentado ao Presidente desse pequeno País, e, menos de um mês após a morte do ministro, a Inguchétia, passou a existir no mapa, pelo menos aos "apedeutas", como nós... Só lamento que seja por fatos tão negativos.

Rui disse...

Nunca refresquei-me em tal sombra,assim como nunca tive coragem de beber da "Água Limpa",famosa vizinha da "Ponta do Morro".

Jacinto Antonio disse...

Boa Noite Zanfra.

Inguchétia. Se alguém me perguntasse o que significa esta palavra antes de ler o que escrevestes a respeito, eu arriscaria a dizer que poderia ser uma daquelas frutas exóticas da região amazônica. Confesso que até gosto de geografia, mas nas minhas andanças pelo google earth nunca tinha "tropeçado" na Inguchétia. Vou dormir com a sensação de ter passeado pela região russa, esperando pelo menos sonhar com a Chechênia (em tempos de paz).
Um forte abraço,

Jacinto.

Cale-se,Zanfrinha disse...

Talvez Freud pudesse arriscar um palpite:"Batizam suas pátrias com nomes altamente sugestivos como Inguchétia e Chechênia,por problemas de formação de sua sexualidade durante a infância."

Marco Antonio Zanfra disse...

Pior seria se fosse Chechétia e Inguchênia...

Cintia disse...

Essas regioes ja eram pobres antes da URSS se desmembrar, apenas que a pobreza ficava muito escondida.
Assisti a um show de 2 atores fazendo a volta ao mundo em motocicletas, e essa regiao e realmente muito bonita, e o povo muito amigavel mesmo.. Mas nao conseguiria viver naquelo esmo nem por um dia..

Carlos Martí disse...

Cintia, a série é muito boa, um documentário com o ator Ewan McGregor, o jovem Obi-Wan Kenobi de Guerra nas estrelas, de Moulin Rouge e vilão do recente Anjos e Demônios.
Abç

Cintia disse...

Exatamente! O Ewan and Charlie :)
A segunda serie nao foi muito legal.. mas a primeira foi muito boa.. Acho que tenho o DVD..
(vou confessar: nunca assisti a nenhum desses filmes de Guerra nas Estralas, Startrek, etc..!) Vou ver Anjos e Demonios sim..

Carlos Martí disse...

Visto à distância, desde a perspectiva de uma educação ufana de um gigante adormecido que vai pra frente uou, uou, uou, uou, parece que a luta de alguns povos por conquistar a auto-determinação (não confundir com separatismo, termo inventado pelos meios a serviço do estabelecido) seja questão de teimosia. Minha leitura vai mais além. Como a Cíntia disse, a pobreza ou outras limitações sempre estiveram aí. O imperialismo faz questão de travestir-se de salvador, de remissor ao encampar regiões que, garantem, são parte de uma nacionalidade. As características e costumes culturais mudam quando cruzamos um rio. Se por um lado, defendo que, em determinadas situações, é preciso não perder a humilde sensação macrocósmica que nos transforma em microscópicos insetos, por outro lado, não deveriamos esquecer que o que nos dá identidade são as raízes locais e, que eu saiba, nenhuma raíz mede 9.000 quilômetros como nos querem fazer crer quando chega um campeonato mundial de futebol em não paramos de ver imagnes singelas de gente humilde enrolada numa bandeira. Quem identifica realmente essa bandeira? Esse símbolo segue sendo unificador quando é hora de repartir privilégios? Na verdade poderiamos considerar que a bandeira nacional não passa de um logotipo e que o hino é um "jingle" que tratam de aliar à poderosa necessidade social de sentir-nos parte de um grupo, de não estar sós, esquecidos e relegados. Tem coisa mais triste do que ver meninas vindo das regiões mais pobres e esquecidas do Brasil e chegando à Europa, por não terem outra opção, acabam se dedicando à prostituição? Pois, assim mesmo, elas seguem imitando o jeito de falar e achando que são personagens da Globo. Um sotaque único e imposto que mascara toda a riqueza e diversidade cultural de um continente que se insiste em tratar como uma única unidade.

Cintia disse...

Um dos tantos exemplos de atropelamento cultural, foi a retalhacao da Africa, tracando divisas e dividindo povos... Fizeram e fazem tanto mal a Africa que esse talvez tenha sido o menos cruel.. Mas tambem acho que um perfil cultural muda com o tempo, adquirindo novas carcteristicas e perdendo outras.. Mas ate que ponto essas mudancas sao puramente evolutivas, espontaneas ou impostas?

Carlos Martí disse...

Não sei se dei a impressão de defender uma posição anti-evolucionista. Se for assim, corrijo. Quando me refiro às raizes não quero dizer que devemos estar atrelados ao passado, mas conhecer as nossas origens, nossas bases culturais, mesmo adaptados aos novos tempos e ampliando horizontes. Eu disse, ampliando, não trocando. Um povo que conhece sua cultura é muito mais difícil de enganar, de que lhe vendam gato por lebre. Para a indústria cultural é muito mais conveniente fabricar um mensagem única e estandartizada. Seu objetivo é o lucro a partir de gasto mínimo. O problema de estar exposotos a esses chamamdos produtos culturais globalizados é a perda de valores críticos, da pluralidade de critérios.

Cintia disse...

Nao, Carlos, entendi e concordo com voce. Nao e a toa que tantas ditaduras tentam "uniformizar" o povo, matar as raizes, calar as manifestacoes culturais.. Nao foi assim com minha queirda Barcelona? Acho que fica mais controlavel, manipulavel (me vem aa cabeca um monte de chinezinhos vestidos todos iguais). Mas eu estava mesmo questionando algumas "evolucoes", pois em muitos casos sao padroes que sao empurrados goelas abaixo, importadas, forjadas..nao acha?

Kafka disse...

Não se incomode com sua ignorância, caro Zanfra: dia desses, descobri abismado que Santa Catarina tem uma cidade chamada Meleiro!!! Lembra Maleiro, lembra Salseiro, mas não lembra uma cidade!

Marco Antonio Zanfra disse...

Cíntia: você reparou no blog de quem eu coloquei entre os favoritos? Descobri-o ontem, depois de mais de 15 anos, e até já conversamos por e-mail.

Cintia disse...

do Angelo? Nossa, por onde ele anda? vou la dar uma espiadinha..
Falando em "se achar", quem me achou outro dia foi a Leocadia, da Darci, lembra?

Marco Antonio Zanfra disse...

Puxa! A Leocádia é coisa de Jurassic Park, né não? Mais de 40 anos atrás!

Cintia disse...

Pois e.. A Darci ainda vive em Joinville, mas a Leocadia esta em Natal.

Tentei comentar no blog do Angelo, mas nao vai.. Clico no mandar e nada acontece.

Marco Antonio Zanfra disse...

Ué, eu escrevi. Experimenta clicar para publicar e, quando disser que não é possível, clique em "visualizar", que aí aparece um código visual para ser preenchido.
Quanto à Darci, acho que ela mora é em Itajaí.

Anônimo disse...

Prezado Zanfra
O pior em tudo isso é que nunca ouvimos qualquer notícia boa que aconteça nessas regiões,quer juntas ou separadas.Nadacomo: o nível de vida está melhor, a educação se aprimoro, a saúde está com tecnologias de ponta(como se diz hoje).
O que é feito do ser humano? Triste,né?
Sonia Carotta

Gennara Vitti disse...

Concordo com a Sônia: a gente só notícia desanimadora. Mas é impossível que nada de bom aconteça. É que parece que as pessoas se acostumaram às más notícias e, mesmo que aconteça alguma coisa boa, a gente não fica sabendo. Uma alegria, um sorriso, uma melhora no nível de vida? Ora, isso não dá ibope.

Marco Antonio Zanfra disse...

Acho que não foi bem isso que a Sônia quis dizer, Gennara, mas você não deixa de ter razão: o pessoal quer mesmo é ver o circo pegar fogo! As más notícias em profusão acabam ofuscando um pequeno brilho que teima em brotar no meio da tristeza geral.

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
É realmente complicado quando se aborda um assunto pertinente ao outro lado do mundo. A citada cidade, já que desvendaste a real localização geográfica após apurada pesquisa,nos passa uma nova informação a qual ficaremos antenado. Contudo, no contexto de globalização, o que se tem de registro do desmembramento da antiga URSS, passo a relacionar com o texto um assunto paralelo que é a criação do bloco econômico do leste europeu, a CEI- A Comunidade dos estados Independentes criada em 1991, composta por 12 das 15 repúblicas (URSS) que são: Armênia, Belarus, Cazaquistão, Federação Russa, Moldávia, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Uzbequistão (1991); Geórgia, Azerbaijão (1993). A título de esclarecimento, acho que também contribuí, chamando a atenção para uma das divisões da economia mundial.

Marco Antonio Zanfra disse...

Opa, qualquer informação é bem-vinda!

suzane disse...

como diz a minha avó - Deus sempre dizia: existem mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia- ela só naão sabe qua a frase é de Shakespeare, a gente nunca sabe tud e nem conhece tudo- ainda bem!
beijos
Suzane

Fabiano Marques disse...

Pra ser sincero, daqui à pouco terei esquecido todos esses nomes e sequências históricas que os originaram.
Para mim, basta saber que sou austríaco, vizinho da Alemanha, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovênia, Itália, Suíça e Liechtenstein.
heheheheh
abrasssss

Marco Antonio Zanfra disse...

Poucas informações, pois.