sábado, 21 de julho de 2007

Abutres


No final de maio, um garoto de 18 anos que trabalhava no Detran de Santa Catarina morreu num acidente de moto. Bateu num poste. A primeira pessoa a chegar ao local do acidente nem quis saber se ele estava vivo ou morto: enfiou a mão no bolso da jaqueta e levou sua carteira, que foi encontrada pouco depois, sem dinheiro e talão de cheques.
Esse tipo de atitude me impressiona. A frieza diante da morte, da dor alheia... isso não é para qualquer um. Acho que uma pessoa normal fica sensibilizada, condoída. Seu primeiro pensamento é de solidariedade, na hipótese de que nada possa ser feito para ajudar. Por isso, esse tipo de gente que consegue antever vantagem mesmo diante da desgraça do outro não deve ser normal.
Explorar a credulidade humana num momento de dor é algo inadmissível para alguém com um pingo de escrúpulos. Forjar seqüestros e castigar o pobre coração de mães desesperadas, aproveitar-se da fragilidade de alguém que acabou de sofrer uma perda num acidente automobilístico e enganá-lo, para apoderar-se de parte do seguro obrigatório... realmente, isso não é para qualquer um.
Essas considerações ocorrem-me por conta dos abutres que estão sobrevoando as famílias das vítimas do acidente com o avião da TAM. O prédio da agência de cargas da companhia ainda nem esfriou e os bombeiros ainda nem terminaram de resgatar todos os corpos, mas a criatividade doentia dos estelionatários já está em plena atividade, aproveitando-se da credulidade de famílias fragilizadas pela dor para faturar uns sujos trocados. Os golpes são os mesmos manjados de sempre, mas não deve ser nada difícil enganar pessoas a quem o chão sob os pés já está faltando!
Não creio em “justiça divina”, mas torço para que a punição a esses criminosos não se restrinja a uns pares de anos de cadeia.

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