segunda-feira, 14 de abril de 2008

A mão de Deus?


Desde Maradona na Copa do México, em 1986, eu não via um gol tão escandalosamente feito com a mão quanto este de Adriano, no primeiro jogo das semifinais do Campeonato Paulista entre São Paulo e Palmeiras. Naquela época, o craque argentino atribuiu a autoria do gol à “mão de Deus”. No intervalo do jogo deste domingo, Adriano dizia não se lembrar com que parte do corpo havia tocado na bola, mas depois, ao final, admitiu sorridente a participação divina na jogada: Deus também emprestara sua imaculada mão ao atacante são-paulino, da mesma forma como, há quase 22 anos, aconteceu com Maradona no jogo contra a Inglaterra.
O mais engraçado da história – não fosse prejudicial ao Palmeiras – é que todo mundo viu Adriano empurrar a bola com o braço para dentro do gol defendido por Marcos, menos quem deveria ter visto: o juiz e sua auxiliar, que estava de frente para o lance.
Dona de um belíssimo par de coxas, a bandeirinha Maria Eliza Corrêa Barbosa protagonizou mais um lance controverso na partida: numa cobrança de lateral de Léo Lima para Alex Mineiro, ela imaginou que o centro-avante devolveria a bola ao volante, antecipou-se e marcou um impedimento putativo, já que a bola não foi devolvida.
A moça desculpou-se pelo erro em seguida, mas aí não adiantava mais nada: o impedimento continuou marcado e o Palmeiras, que estava no ataque, perdeu uma chance de mais uma vez investir contra o gol de Rogério Ceni.
De seu lado, acho particularmente que o experiente juiz Paulo Cézar de Oliveira foi mais infeliz ao tentar justificar a validação do que ao validar o gol de Adriano: ele disse não ter visto intenção no atacante em tocar a bola com a mão, e que, se a situação fosse invertida – um defensor tocasse a bola da mesma forma – ele não marcaria pênalti.
Em primeiro lugar, duvide-o-dó que ele não marcasse penalidade máxima caso algum zagueiro palmeirense tirasse a bola de sua trajetória com a mão. Em segundo lugar, aqui, pardal, que ele não tinha intenção! A foto ali em cima mostra nitidamente o animus dolandi de Adriano em empurrar a bola com a mão, já que não a alcançara com a cabeça. Na tentativa de justificar o erro de sua coxuda companheira, o juiz manda uma emenda muito mais manquitola do que o soneto.
No mais, como qualquer torcedor que se preze, acho que o Palmeiras foi outras tantas vezes prejudicado pela arbitragem: Valdivia choca-se com um adversário no ar, numa disputa de bola, e recebe cartão amarelo; Kléber é atropelado por André Dias, quando corria livre em direção ao gol, e é um lance normal do jogo. O trio de arbitragem foi parcial ou incompetente?
Mas tudo bem, domingo que vem tem mais. E, desta vez, queremos contar com a ajuda de Deus: não com sua mão famosa, mas apenas com sua justiça.

14 comentários:

Bonassoli disse...

É por estas e outras que eu defendo a derrubada da Lei do Impedimento. O futebol precisa se modernizar.

Claro, não tanto ao ponto de liberarem as mãos para fazer gols. Isto é lá coisa do handebol.

Ao menos, bem mais ao Sul do País, as coisas parecem estar voltando ao normal. Na verdade, o campeonato já poderia terminar, se é que o amigo me entende. : )

fábio mello disse...

Chora viola, canta coração.

Erros acontecem. Reside aí a magia do futebol. Um lance difícil, interpretativo, como bem disse o árbitro.

A questão maior é o saltinho alto, o já ganhou, o vem que tá fácil. Não respeitaram o Glorioso e aceitaram com naturalidade um suposto favoritismo do Palmeiras, alimentado pela imprensa esportiva.

Não sei alguém já disse a frase "clássico é clássico". É bom ter isso em mente. Até mesmo a torcida Tricolor, que não deve se empolgar tanto.

E viva! "la mano de Diós".

Marco Antonio Zanfra disse...

Fabião, a "magia do futebol" só é boa quando ela está do lado do seu time!

fábio mello disse...

Não, Marcão. Meu time já foi prejudicado outras vezes. Faz parte, ué. Eu acho que o toque foi involuntário. O assunto vai render boas discussões durante a semana. E nada está perdido para o Palmeiras. Acho, sinceramente, que o time se classifica.

Anônimo disse...

Ixi! Ta me parecendo dor-de-cotovelo de palmeirense (Virei Sao-paulina desde uma vez que, de passeio a Barra Bonita, o time do Sao Paulo ficou no mesmo hotel que a gente estava (de excursao hehe).. Tirei foto com o Serginho Chulapa e desde entao meu coracao bate tricolor.. O Waldir Perez e o Teodoro tambem estavam por la :)

Anônimo disse...

Mas, voltando ao assunto principal, nao vi o gol. Acontece que sua foto ai de cima pode ser um tiro que sai pela culatra. Ve-se que ele estava caindo, entao num reflexo estirou a mao para se apoiar na queda e, como a bola estava no caminho, foi gol!!
Gooooooooooooooooooolll!!!!

José Luiz disse...

Zanfra, sou do tempo em que havia "bola na mão" e "mão na bola". A bola bateu na mão do Adriano e entrou. Foi "bola na mão". Ou seja, por esse antigo critério, o gol foi legal.

Fabiano Marques disse...

Concordo de todo jeito. Torcedor do Atlético Paranaense que sou, alimento aversão às mais descaradas injustiças cometidas pela turma do são p....
Quando isso vai acabar? Sei não, sei não.

Anônimo disse...

"...Salve o Tricolor Paulista, AMADO clube brasileiro. Tu és FORTE, tu és GRANDE, dentre os grandes és o PRIMEIRO..."
Zanfra, é verdade que o segundo jogo não será no Palestra Itália?
Soube que não poderá ser no estádio do Palmeiras, pois estará alagado o gramado, porque a choradeira é tão grande, que até o proximo domingo não secará o campo...
Hehehehehe
Mas é isso...
Lembras daquela frase:
"EU JÁ SABIA!"
Pois é isso que eu digo também...
Hehehehe
E pra encerrar mais um trecho do nosso lindo hino:
"...Ó Tricolor, clube bem AMADO..."
Abraços
André Campos

Marco Antonio Zanfra disse...

Ah é, é?
"Quando surge o alvi-verde imponente/No gramado em que a luta o aguarda/ Sabe bem o que vem pela frente/Que a dureza do prélio não tarda..."

Anônimo disse...

Com certeza você não conhece a letra desta musica, mas é aquela mesma que gerou polêmica no classico de SC, lembra?
Foi a musica que o Adriano dançou, aquela assim ó:
"...Dj, velocidade 2 na dança do Créu...
Créu, créu, créu,créu..."
hahahaha
Abraço
André Campos

Marco Antonio Zanfra disse...

Ahahah...

Fabiano Marques disse...

Ei, Zanfra!! Agora tens que torcer para que a mão do árbitro não apareça. hehehe

Marco Antonio Zanfra disse...

Pois eu já inventei uma nova versão para o hino do glorioso, levando em consideração os acontecimentos da última partida contra o São Paulo:
"... E o Palmeiras no ardor da partida/Transformando a lealdade em padrão/Sabe sempre levar de vencida e mostrar/Que não vale fazer gol com a mão..."