segunda-feira, 26 de maio de 2008

Falta do que fazer


Contei aqui não faz muito tempo (4 de fevereiro, para ser mais exato) o caso do japonês de 37 anos que foi preso por uso abusivo do serviço de informações da companhia telefônica: durante cinco meses, ele fez 2.600 ligações ao ichi-maru-ni – não sei se o nome é este, mas “ichi-maru-ni” quer dizer “um-zero-dois” em japonês – da Nippon Telegraph and Telephone, “só para conversar”.
Sentindo-se sozinho, sem ter a quem contar sobre os dissabores, frustrações e a insignificância do cocozinho que era sua vida, ele ligava 17 vezes ao dia ao “auxílio à lista” nipônico para ter um pouco de companhia, nem que a atenção dedicada a ele fosse conseqüência de mera obrigação contratual.
Pois esse japonês era fichinha. Descobriram logo ali em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, uma mulher de 25 anos que, em dez dias, ligou nada menos que 1.377 vezes ao serviço de emergência da Polícia Militar, e não para conversar. Mais de 137 ligações por dia, sabe lá o que é isso? Oito vezes mais do que a média diária do japonês, que, pelo menos, congestionava as linhas da NTT por um motivo menos espúrio: a procura de afeto que, embora formal, suprisse sua carência.
Agora, sabe o que é ligar 137 vezes por dia ao 190 – um serviço que às vezes é o último recurso da população como solução para problemas cruciais – e, em vez de pedir socorro, gastar o tempo dos atendentes recitando palavrões? Sabe o que é interpor-se entre uma emergência real e o único instrumento apto a solucioná-la para satisfazer sabe-se lá que tara ou desvio sociopático? Ainda se fosse uma criaça, ávida pela sensação de risco proporcionada pelo ato de brincar com a polícia... mas uma mulher de 25 anos!
Para tentar explicar isso, recorro à amiga que mais entende de murmúrios, labirintos e distopias da mente humana, a psicóloga clínica Lílian Schulze, mas ela se mostra cheia de dedos – nove ou dez, pelo que pude contar rapidamente – sobre fazer um julgamento antes de avaliar a moça em questão. Não dá para se basear numa notícia de jornal, segundo ela, para diagnosticar se a mulher tem um grave desequilíbrio emocional ou apenas necessidade de chamar a atenção. Tem de haver uma análise criteriosa para identificar os motivos pelos quais faltam a ela as noções de limites e do que é certo e errado.
Lílian concorda comigo num ponto, porém: faltam limites e noções do que é certo e errado à moça de Tubarão. Resta saber se a Justiça vai lembrar-se da possibilidade de tratamento psicológico no momento em que fora avaliada sua punição.

11 comentários:

José Luiz Teixeira disse...

Zanfra, essa moça de Tubarão poderia ser muito bem aproveitada. Deveríamos dar a ela o telefone da Febraban para eça ficar ligando pra lá, perguntando quando os bancos vão devolver a diferença do Plano Bresser, que estão tungando do povo.

Anônimo disse...

NOSSA É MUITA FALTA DO QUE FAZER HEMMM....FALA SÉRIO...
ELA DEVERIA TRABALHAR NO ATENDIMENTO DA BRASIL TELECOM 102 SÃO 600 LIGAÇÕES PARA ATENDER POR DIA E AINDA É REMUNERADA HEHEHE...
SERIA UM BOM LUGAR PARA ELA.

ANELIZE

Marco Antonio Zanfra disse...

Resta saber se os usuários do serviço de informações iam acostumar-se ao repertório de palavrões que parece ser o vocabulário oficial da moça.

Anônimo disse...

Pois, para mim, só há uma explicação: a "moça" em questão é uma perfeita idiota, a menos que fique comprovado que tenha um sério retardo mental (nesse caso, passa de idiota à retardada). Onde já se viu, obstruir um serviço desses, de tamanha importância, ocupando a linha telefônica para dizer palavrões...
Cabível uma punição!
[]s;
Guta.

Anônimo disse...

Boa noite!!!

Sim, pura falta do que fazer. Sem limite entre o certo e o errado.

Mas com alguma alteração muito séria, algo que vai muito além do meu pouquissimo conhecimento em psicologia (por enquanto =) )
Solidão, mágoa, angustia, loucura, loucura, loucura, loucura, angustia, mágoa, solidão...
Mistura que talvez nem ela consiga entender.

Justiça seja feita...Prisão ou tratamento psicológico...mas que seja feita!

Ótimo seu blog

Beijos

Débora (noiva do André)

Anônimo disse...

Como cheguei tarde e pude ler os comentarios ja postados, acho que ela tem um pouco de tudo o que falaram por aqui. Pra comecar, Muuuito tempo livre nas maos (ou dedos); segundo, ao contrario da psicologa Lilian, arrisco meu diagnostico (ja que nao sou psicologa mesmo e nao estarei quebrando meu juramento): comportamento obsessivo (137 ligacoes por dia??!!) Que tara!!

Marco Antonio Zanfra disse...

E isso não é tudo: a mulher foi presa de novo, depois de fazer mais 40 ligações para o 190, nos mesmos moldes das 1.377 que já havia feito. A única diferença é que, agora, ela ligou de um orelhão, e não do celular. Parece que está claro que ela tem algum desequilíbrio. Mas, dos males o menor: é melhor ficar enchendo o saco da polícia do que atirar criancinhas pela janela...

Bonassoli disse...

Caso patológico básico.

Anônimo disse...

em tempo! Caro Zanfra e queridos leitores... agora já perdendo alguns dos dedos e vendo as imagens da moça ao ser novamente presa, posso lhes dizer que ela precisa de um tratamento. Novidade? Nao né? Cheguei a pensar que seu objetivo seria o de chamar atenção e, neste caso, ela realmente logrou êxito. Mas para alguém chegar a fazer isto, nao deve estar com a noção d elimite delimitada, o que no popular se diz: "nao bate bem da cabeça".
O problema é que ela responderá apenas a um Termo Circunstanciado, o que é incapaz de conter a ação da moça. Uma avaliação psicológica e psiquiátrica deveria ser arbitrada e, além disso, chamada a família para a responsabilidade, caso seja detectado um disturbio psiquiátrico. Aliás, nao precisa ser psicólogo para saber disto, nao é?
Abraços a todos.
Lílian Schulze

P.S. Por problemas técnicos, nao pude escrever antes...

Anônimo disse...

Anos depois...
Hehehehe...
Bom dia Tio!
Bom, acho que esta moça já recebeu muitos "chingamentos carinhosos" por aqui.
Só me resta dizer algumas coisinhas também:
O que falta para esta mulher é vergonha na cara mesmo, será que ela é tão ruim, ao ponto de ninguém contratá-la para trabalhar em algum lugar?
Como disse a Guta, Idiota essa moça mesmo!
Como diria meu amado Vô: Tem que dar é uma "camassada de pau" numa mulher dessas.
È isso.
Um abraço.
E a pedidos:
Ass: André (noivo da Débora!

Marco Antonio Zanfra disse...

Pois é. O André é como salário: demora mas um dia aparece!