segunda-feira, 15 de junho de 2009

Obra do acaso...

Quis o destino – ou o acaso – que não terminasse na postagem da semana passada o assunto sobre as voltas que a vida dá para que certos acontecimentos terminem de um jeito que pode nos levar a crer que tudo no universo estava planejado antes mesmo de nascermos. Uma nova notícia, ainda envolvendo o acidente com o Airbus do voo 447, veio botar um pouquinho mais de lenha na fogueira e acender o assunto que para mim ainda não está totalmente esclarecido: afinal, estamos todos à mercê de um roteiro que já definiu nosso papel no grande teatro da vida, ou tudo não passa mesmo de uma série de coincidências?
Pois a informação de que uma turista italiana perdeu o voo da Air France – e consequentemente deixou de figurar entre os 228 infelizes que desapareceram nas profundezas do Atlântico – mas não escapou da morte, alguns dias depois, num acidente automobilístico na Áustria, põe-nos novamente a refletir: será que sua personagem já estava destinada a desaparecer numa das cenas dessa tragicomédia chamada vida, pouco importando se fosse neste ou num capítulo posterior? Será que ela driblou o roteirista, escondendo-se na coxia, mas acabou sendo descoberta pela produção da peça e obrigada a cumprir seu papel, já que a grande obra não permite improvisos?
Para alguns de meus poucos mas fiéis leitores – como Carlos Marti e um que se assina como Kafka, mas eu acho que não é o Franz – podemos colocar da seguinte forma: ela conseguiu escapar da primeira coincidência, mas não escapou da segunda. Sabe-se lá quantas coincidências seriam necessárias para obrigar a relutante personagem a abandonar o palco.
Que todos nós morreremos um dia, isso eu ouvi da quase totalidade dos comentaristas do blog. Pois eu os tranquilizo: já sabia disso, meus amigos, mas não estou questionando a eternidade. O que me intriga é a forma como algumas pessoas cumprem sua efemeridade. Como um grande jogo da mídia mundial? Pode ser. Mas é impossível não haver um roteiro prévio para garantir um mínimo de espetáculo. Experimente colocar onze jogadores de futebol com a mesma camisa em campo e não explicar para que lado eles devem chutar a bola...
Ainda que concordemos que tudo não passa de uma enorme coincidência, temos de admitir que mesmo a lei das probabilidades deve ser regida por alguma força. O que faz com que o número 8 saia mais vezes do que o número 5 numa série de vinte tentativas, e os dois sejam sorteados o mesmo número de vezes numa segunda série? Pela lei das probabilidades, os dois números não deviam sair o mesmo número de vezes?
É obra do acaso? Não teria também o acaso um roteiro para explicar suas coincidências?

34 comentários:

Suzane disse...

assisti a uma reportagem na record sobre isso e o marido dela disse que é mentira, ela não perdeu o voo 447- ela pegou um voo em SP para Madri, ele não sabe como esta história se espalhou.

Alzira Aymoré disse...

Seu blog brotou no meu e-mail nessa manhã de segunda feira, assim como o blog do Zé. Tudo bem, desde que texto seja ótimo é muitíssimo bem vindo. Quanto a essas questões metafísicas, sobre a força que possa existir por trás de qualquer ação nossa, já desisti de tentar entender. Acidentes me chocam, até porque sou esposa de tripulante, mas acredito que as coincidências sinalizam e nós é que damos de ombro e achamos que não é bem assim.Bom para nós quando escapamos numa boa. Só acho que nosso roteiro de vida não é feito inteiramente por nós; que existe uma força invisível que nos impele para determinadas circunstâncias a serem vividas. Voltei para um antigo emprego que detestava movida por uma vontade que não sabia definir, e saí logo depois porque lá consegui algo muito melhor. Se tivesse ouvido a voz da razão...

Cintia disse...

Acho que a gente precisa acreditar em alguma coisa que de um pouco de sentido ao non-sense..
Lembra das estorias do Malba Tahan? Maktub! Estava escrito.. Tinha a estoria de um sujeito que descobriu que a morte ia ter com ele, entao decidiu fugir e foi para uma determinada cidade.. Pois era la mesmo que a morte tinha agendado o encontro :)

Anônimo disse...

Obrigada Zanfra, pelos textos de muita reflexão. O Grande Arquiteto do Universo tem o encargo de reger o Mundo. Maktub! Lucrecia Anchieschi Gomes

Marco Antonio Zanfra disse...

Suzane: o que é que eu posso dizer? Primeiro, não fui eu quem plantou a notícia; segundo, dá para confiar no marido da mulher, que, segundo as informações, teria ficado seriamente ferido no acidente? Vai que afetou o cérebro...

Cintia disse...

Terceiro.. vindo da Record...

Blog do Morani disse...

15/06/09

Não há acasos no roteiro Vida. Ao início da década de 50 houve no Rio de Janeiro uma Convenção do PTB; meu pai, como lider do partido em Natal, estava presente, como tantos outros lideres,ao aeroporto Santos Dumont,onde pousavam as aeronaves, à espera do Ministro Salgado Filho, que vinha de Porto Alegre para o encontro magno do partido. A notícia de que o avião de dois andares - aeronave novíssima adquirida pela empresa aérea (não me lembra o nome)- sofrera acidente chocou a todos os correligionários. Mas, para surpresa geral, o Ministro perdeu o avião. Dizia-se, à época, que ele ficou furibundo pelo atraso causado pelo trânsito. Depois, com a notícia da queda, ele deve ter vibrado muito e dado muitos "graças a Deus". Embarcaria no dia seguinte, em avião do mesmo porte e da mesma empresa. Pois de novo a tragédia se repetiu não escapando nem um tripulante ou passageiro.
Maktub - Estava escrito!
Acredito ter respondido às dúvidas a alguns de seus leitores.

Nicanor Amaro disse...

Caro Zanfra. Vc conhece aquela piada dos três limpadores de vidros de edifícios, que estavam no balancim externo, quando um dos três sentiu insuportável vontade de ir ao banheiro defecar, e após ouvir o conselho dos colegas bateu na janela de um dos moradores, explicou toda a situação ao tal morador que entendeu todo o drama por que passava o trabalhador,que de imadiato, saindo do balancim seguiu velozmente ao WC. Nesse interim, enquando o felizardo estava devidamente assentado "no trono" o balancim com os outros dois colegas despencou das alturas e foi estatelar-se no chão, levando a óbito seus dois colegas? Conhece essa piada? É mais ou menos o que aconteceu com a indigitada retardatária do vôo fatídico.

Cintia disse...

Hey! Agora conta o fim da piada..

Carlos Martí disse...

Creio que a minha argumentação da semana passada não ficou inteiramente clara, já que em momento nenhum atribui às coincidências, determinados acontecimentos ou mesmo, seu encadeamento. A minha opinião é que é pretensioso acreditarmos que forças ocultas estão o tempo todo criando situações curiosas ou mesmo, que obedeçam a um roteiro prévio como se cada um de nós fossemos o próprio Truman, a peça central de um Reality Show. Minha tese é que existe uma grande probabilidade de que tudo faça parte de um padrão contínuo, repetitivo, sem importância para um mundo em que até fenômenos teoricamente imponderáveis como as emoções ou a filosofia poderiam estar regidas por ciências como lógica ou a matemática e em que outorgar um especial protagonismo ao acaso poderia obedecer a uma constante necessidade de dar um maior sentido à nossa existência.

Carlos Martí disse...

A Cintia parece o Grilo Falante do blog, jejejeje

Carlos Martí disse...

Também quero saber o fim da piada...

cilmar machado disse...

Pô, Zanfra! Morri de rir com a sua resposta à Suzana. Parece que estava torcendo para que a informação dela fosse incorreta para que seu texto não caisse em descrédito! Fique tranquilo; enquanto estivermos neste mundo, a morte nos será sempre uma incógnita, pois fomos criados para a Vida e a morte é a sua antítese!

Cumprimentos pela abordagem ao assunto e um abraço amigo.

Fabiano Marques disse...

Uma pergunta:
Como pode um monte de gente viva tentando explicar a morte? kkkkk
Não dá. A gente tem que morrer primeiro. Relaxem, depois conversamos sobre isso.

Uma resposta:
Quanto à coinscidência da morte da italiana, não vejo muita relação.
Foi acidente de carro, ela foi encontrada, velada, enterrada....enfim, morrer meia hora depois do acidente do voo 447 ou dez anos após não faria diferença, a não ser cronológica.

Só se assusta com a morte quem tem medo dela. E quem tem medo de morrer, precisa aprender a não ter, porque uma hora vai.

Antes que pensem...não sou discípulo do Zé do Caixão hein!!!

Cintia disse...

Grilo falante foi demais... Da pra perceber que estou meio sem o que fazer, com tempo de sobra pra ficar dando pitacos nos comentarios dos outros haha..
Grilo falante, coro de tragedia grega - pra me sentir um pouco mais classica - so espero que meu primo nao se incomode de eu ficar me intrometendo no blog dele :))

Marco Antonio Zanfra disse...

Fique à vontade, prima. Sem o Grilo Falante, este blog não seria o mesmo...

Carlos Martí disse...

Sinto que estou-me especializando em criar mal entendidos: o Grilo Falante é o bom senso, o bom critério, simpático, protetor e está sempre botando ordem.

Carlos Martí disse...

Cintia, "seu time" acabou de tomar de 3 a 1 da Azurra (hoje estou provocador, jejeje)

Marco Antonio Zanfra disse...

Se chamar a Cíntia de Grilo Falante é um elogio, por que a risadinha depois?

Carlos Martí disse...

Confesso minha falta de habilidade com o código "onomatopeo-sms", mas garanto que pretendia ser algo positivo, desculpe se não foi assim, Cintia.

Marcelo Silveira disse...

Seria muito bom que os deuses existissem, que traçassem e cuidassem do nosso destino etc.
Mas o homem cria tudo isso por um único motivo, a inaceitação da morte. Entendo perfeitamente os que acreditam e os respeito, porque já fui um deles - mas a Verdadeira Luz (a razão) está brilhando no final desse túnel.

Jacinto Antonio disse...

Caro Zanfra,

tarefa difícil explicar o inexplicável.

Acredito que algumas pessoas tem um roteiro de passagem com maior brevidade que outras.
Todo dia fico torcendo para que eu e as pessoas com quem tive e tenho a oportunidade de compartilhar algum tipo de boa relação tenham um roteiro de passagem mais longo.

Quem sabe faz a hora... o resto, é obra do acaso.

Um forte abraço,

Jacinto.

Anônimo disse...

Prezado Zanfra

Infelizmente, creio eu, a turista italiana não era para ficar nas profundezas do oceano,mas, por outro lado tinha que fazer "sua passagem".Seus corpo deveria ficar em terra para ser reconhecida antes das formalidades que vem depois.E isso deveria acontecer no dia certo.A explicação do porquê penso assim,seria muito longa,mas são anos e anos de estudos,observações e um olhar
espiritualista dos acontecimentos.
sonia carotta

cintiaz disse...

hahaha.. pois e, a risadinha que deu o tempero :))
Mas entendi, Carlos, sua intencao :)) Gostei da alusao ao inseto cri-cri jejeje

Entao, o jogo comecou promissor, mas a alegria nao durou muito... Mas o que falar dos 4 x 3 do Brasil?? Sufoco puro!
Abrazos

Carlos Martí disse...

Não costumo ir a favor dos EUA, mas projetei Obama e Berlusconi o que fez pender a favor dos Yankes... não deu. O jogo do Brasil não assisti, aqui eram 4 da tarde e estava trabalhando.

Vico disse...

Isto aqui é um blog ou um chat?

Cintia disse...

Vico, isto aqui ooooo... e um pouquinho de Brasil, yaya!!

E um blog "multi-purpose", versatil, contemporaneo, aberto, cheio de visitantes inteligentes :))

Carlos: Nao da, eles jogam muito mal!! Parece que falta confianca.. o cara ta na frente do gol, em ves de arriscar, decide atrasar a bola pro que vem atras... e acaba perdendo a bola.. NAo da!

Kafka - que não é o Franz disse...

Continuo achando que tudo não passa de coincidência. Se a mulher não tivesse morrido no acidente - e olha que essa informação carece de confirmação - você nem teria motivo para escrever. Coincidiu dela morrer, pronto!, vale uma postagem e mais de vinte comentários... E o acaso e as probabilidades não carecem de "lei" que as explique: continuando assim, você vai achar que é preciso de uma explicação matemática para você inspirar e depois expirar quando respira...

Kafka disse...

Mais uma coisa: para a lei das probabilidades ser questionada, não adianta você fazer um teste com vinte tentativas. Supondo que você vá utilizar bolinhas para cada um dos dez algarismos (0 a 9), você tem de oferecer pelo menos dez chances a que cada bolinha seja sorteada. Portanto, só se pode pensar numa pesquisa séria se pelo menos forem feitas cem tentativas.

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
A vida e um mistério que ninguém pode vaticinar o que nos aguarda. Coincidência ou não, esse casal que embarcou separadamente em voos distintos acompanhado dos filhos; e os outros passageiros que desistiram do voo 447 e foram acomodado em um outro, são fatos que caracterizam enigmas que jamais um simples terráqueos, como nós, podemos decifrar. Quem já passou desta para outra, sabe muito bem relatar nos seus devido pormenores, porém não se tem relato comprobatório desse sobrenatural. Quem partiu para o além, não tem o mínimo interesse de retornar a esse velho planeta abatido,desigual, explorado para o pior e habitado por simples mortais orgulhosos que pensam em uma segunda chance de sobreviver novamente aqui.

Cintia disse...

.. e o Nicanor nunca voltou pra contar o fim da piada..

Nicanor Amaro disse...

Realmente eu fiz de propósito.
Velório providenciado, os infelicitados colegas jaziam lado a lado na sala da funerária, ambos em dois belos ataúdes de madeira de primeira,com as respectivas viúvas e filhos sendo consolados pelo infortúnio, quando chega ao local o dono da empresa que havia ganho a licitação para limpeza do prédio.
O patrão,para não perder aquele momento de constrangimento geral, e na tentativa de conseguir levantar o ânimo dos orfãos dos "durões" disse em alto e bom som:
-Minhas caras viúvas.Nesse momento de tristeza pela perda dos entes queridos, eu como ex-patrão deles, garanto-lhes que ambas terão suas casas devidamente quitadas pela minha empresa, seus filhos, todos sem exceção, terão a faculdade garantida pelas bolsas que daremos à eles, e, os salários que os dois recebiam, terão continuidade e serão pagos às duas como se os finados vivos fossem.
A mulher do "sortudo" que ouvia impassível tudo o que o patrão do marido falava, resmungou ao seu lado: E VOCÊ CAGANDO.
Boa noite Brasil!!!

Vico disse...

Uai, a Cíntia ficou aí cobrando o final da piada, e agora, cadê ela, para dizer se achou graça ou não? Eu, de minha parte, não ri muito porque já conhecia...

Cintia disse...

HAHAH.. Estava evitando.. e pensar que insisti tanto pra ver o fim da piada..
Como diz o Jo, ri muito - por dentro!