segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os saborosos perigos da vida

Viver é perigoso. A cada dia ficamos sabendo que atividades prosaicas de nosso dia-a-dia podem às vezes oferecer riscos. A cada dia recebemos informações de que a vida pode não ser esse mar de rosas que, tirando os percalços econômicos de sempre, estamos acostumados a deglutir. Os riscos, às vezes, estão ocultos por detrás dos pequenos prazeres.
Pois foi um juiz federal de Sergipe quem trouxe a nova informação sobre os perigos de viver: ele determinou que, em até oito meses, rótulos de produtos alimentícios que possam trazer algum perigo devem destacar a presença de produtos alergênicos em sua composição. Os produtos que de alguma forma ofereçam risco de reações alérgicas devem trazer essa possibilidade muito bem expressa no rótulo, até em forma de desenho, para atingir a ainda significativa população analfabeta.
Confesso que o que me chamou a atenção não foi a atitude do juiz, mas o rol de produtos que ela abrange. Vocês sabiam, por exemplo, que saborear uma paçoquinha pode representar risco de vida? Ou que carregar de mostarda um suculento cachorro-quente pode – caso você escape de ser envenenado por algum dos misteriosos produtos que compõem a salsicha – provocar no mínimo uma raivosa urticária?
Acostumamo-nos a ver nos rótulos de produtos – geralmente massas e farináceos – o alerta “contém (ou não contém) glúten”. Acho que a maioria de nós conhece os celíacos e os efeitos que o glúten provoca em seu organismo. Mas essa decisão do juiz sergipano mostrou, pelo menos para mim, que não apenas o glúten é alergênico e perigoso. Ele é um dos mais conhecidos (e por isso o aviso de sua presença já foi alcançado por norma), mas não o único.
Amendoim, ovos, leite, soja, crustáceos, peixes, castanha, mostarda, gergelim... Façam uma pesquisa rápida na rede e vocês vão descobrir que metade dos casos de alergia diagnosticados refere-se a intolerância alimentar. Tem gente que não pode comer maçã, nozes, tomate, espinafre, uvas, banana, cacau, moluscos, frango, morango... Tem gente que não é afetada diretamente por esses alimentos, mas tem reações alérgicas com corantes e outros componentes utilizados na industrialização alimentar.
Creio que todo mundo deve ter sua alergiazinha, aqui e ali, mas na maioria dos casos as reações são tão pouco notáveis que não nos forçamos a privar-nos de um prazer gustativo para evitar um prazer coçativo. Por exemplo: minha filha mais velha, Mariana, descobriu-se levemente alérgica a chocolate – o consumo, a partir de um certo limite, provocava-lhe uma irritante (para nós, inclusive) coceira na garganta e no tímpano – mas vocês acham que ela seguiu à risca a recomendação médica e deixou de empanzinar-se de chocolate?
Há efeitos mais drásticos, claro. Por isso, a decisão do juiz. Ele definiu que em dois meses a vigilância sanitária deve ter o assunto regulamentado e, desde então, os fabricantes terão seis meses para adaptar-se. A partir daí, os rótulos com o aviso “contém glúten” terão como companheiros nas prateleiras outros com “contém leite”, “contém ovo”, “contém amendoim”...
Mas não sei se isso resolve: tem gente que não tem costume nem de conferir a data de validade de produtos perecíveis...

Quero unir meus poucos mas festeiros leitores para, juntos, encaminharmos nossos votos de felicidade a minha prima e fiel colaboradora Cíntia, que aniversaria nesta terça-feira, 15 de setembro.

26 comentários:

fábio mello disse...

Carambola é um perigo para quem sofre de alguma doença no fígado.

Cítia, parabéns! Feliz aniversário!

fábio mello disse...

Cíntia, com "n".

Blog do Morani disse...

Muito bem. Então, logo de saída, quero juntar os nossos sinceros votos de muitas felicidades, de paz e de saúde à Cíntia, sua prima e colaboradora neste blog. 15/09/09 - data de júbilo aos Zanfra.
Eu, por minhas deficiências orgânicas, mercê aos problemas renais, cardíacos e hepáticos, estou proibido de ingerir coisas deliciosas que muito me deram prazer há anos atrás, como: chocolate (como muito pouco; não abdiquei a ele), leite e raspa de côco, creme de leite, leite condensado (eu bebia uma lata sozinho), amendoim (ainda me arrisco, mas como sua filha não, pois não me empanturro, mas bem que adoraria poder fazê-lo)sardinha, linguiça (ah, que sofrimento!)alimentos integrais, soja e quase tudo, bolas! Vigio todos os rótulos, desde o vencimento do produto ao que ele contém em sua receita. Levo mais tempo em supermercados olhando os rótulos do que propriamente comprando. Realmente, os produtos estão cheios de químicas perigosíssimas. Tudo o que tiver "sabor", de tal fruta, "artificial" "honestamente revelado", pode crer: é veneno puro!
Mas o que fazer? os alimentos industrializados vieram para atender a uma sociedade apressada demais e sem tempo para os alimentos naturais. É a modernidade, a Era das facilidades, da comida rápida, do "fast food" dos restaurantes.
C´est la vie moderne!

Gleydson disse...

Aê Zanfra! Parabéns pra tua prima! :-)

Abraço grande!

Cintia disse...

Puxa, gente! Muito obrigada!
Sensibilizei-me!

Rotulos..
Aqui chegam ao absurdo de informar coisa do tipo: remova a tampa de plastico antes de comer.. Deve dar alergia, ne?

Eliz disse...

Oi Zanfra,

Acredito que a determinação do juiz, nada mais é que cumprir uma deteminação expressa da lei... Mas sinceramente, não acredito que constar ou não em um rótulo que o produto pode causar alergias fará grande diferença, ao contrário disso o ideal seria educar a população quanto aos produtos e suas composições... No meu caso tenho alergia a uva, e não descobri e nem descobriría isso em um rótulo.

Felicidades à Cíntia.

josé luiz teixeira disse...

Vida longa à Cíntia.

Vico disse...

Ô, Cíntia, você esqueceu de contar para a gente se já inventaram por aí as tampas de plástico comestíveis. Afinal, tanto coisa absurda já pode ser digerida.
E, aproveitando, feliz aniversário. Seu primo não conta sua idade, mas temos certeza de que você tem muito menos que ele.

Cintia disse...

Quanto a idade.. vamos dizer que e mais do que eu gostaria..

Infelizmente ainda nao inventaram as tampas comestiveis (acho que essa e a razao pela qual eles recomendam que se remova a dita cuja antes de comer).
A proposito, essa e uma otima ideia.. ia melhorar em muito o problema do lixo no mundo..

Marco Antonio Zanfra disse...

Feliz aniversário, prima!

Cintia disse...

Obrigada, primo!
Como sempre um dos poucos que se lembra :)

Marco Antonio Zanfra disse...

É que na faixa etária das pessoas que compõem nosso círculo de relações a memória começa a ratear...

Cintia disse...

E logo logo a lista de pessoas vai comecar a diminuir..haha

Gennara Vitti disse...

Parabéns, Cíntia! Ou melhor, happy birthday!

STERILAIR disse...

Parabéns,prima.E lembre-se:Mantenha-se longe das alergias que nenhum alergênico lhe incomoda.E por falar em alergênico,há pouco tempo,um paciente relatou-me a presença de "ÁCAROS" nos seus dentes inferiores( ao invés de tártaros) e que, porisso,necessitava de uma limpeza.Durante uma anamnese nada convencional,questionei-lhe se andava lambendo o tapete,ou quem sabe,mordendo a fronha ou cobertor.Sugeri que dormisse de bovca aberta próximo a um aparelho que foi moda por aqui,quando da descoberta dea presença destes ancestrais de hipopátmos na nossa vida diária.Risadas a parte,a tartarectomia foi realizada.Mas fica a máxima:"Perco o paciente,nas nã perco a piada"

Marco Antonio Zanfra disse...

E estava quase perdendo sua cadeira cativa entre os comentaristas do blog, por inassiduidade.

Imortal(livre e desocupado) disse...

Uma vez ocupante de uma cadeira de imortal na"ABL" (Associação dos Blogueiros Livres)",sempre imortal.

Cintia disse...

Rui, voce fica falando que esses PM's grandoes e machoes andam mordendo a fronha.. Quem vai acabar sem dentes logo logo é voce! Cuidado!

Obrigada pelos parabens!

mas essa foi boa.. acaros nos dentes :)

Serafim disse...

CARO ZANFRA

Um simples prazo de validade impresso em qualquer produto acaba rotulando nossa vida.Do jeito que as coisas vão,sem saber se são verdadeiras as palavras,acabaremos vivendo de pão (sem glúten) e água.Atualmente nem nas verduras podemos confiar. O meu único problema de alergia é falta de dinheiro.
Meus parabéns a Cintia. Mesmo não a conhecendo mas sendo prima do Marquinhos (era assim que o tratava nos tempos da Faculdade)só pode ser gente da melhor qualidade.
Uma curiosidade,Zanfra:nos tempos que frequentava sua casa em Pirituba vc mostrou-me uma foto 3x4 do seu irmão Rui e disse que ele se parecia com o Hitler.Ainda parece?

Abraços

Cintia disse...

Marco, esclareca: conheco o Serafim? Lembro-me de um Serafim, mas minha memoria me diz que ele era amigo da Nane.. Sera o mesmo?

Cuidado com o que fala.. a verdade sempre vem a tona! haha

Marco Antonio Zanfra disse...

Serafim: o Rui agora é tenente da PM, dentista; não ouso dizer que ele se parece com o Hitler. Mas o cabelinho dele, naquele tempo, bem que lembrava aquele famoso cabo austríaco.
Cíntia: é a mesma pessoa - tirando os serafins anjos, aliás, quantos Serafins haverá na Terra? Ele estudava comigo na Cásper Líbero, foi passear em Pirituba e acabou levando um lero com a pobre e indefesa Nane.

Kafka disse...

Cíntia é nome de gata. Como Fernanda. Difícil acontecer de uma Cíntia - ou uma Fernanda - não ser gata. Por isso, gata, feliz aniversário. E não se incomode se mais um ano se passa: gata é gata até com século e meio de vida.

Cintia disse...

Prrrrrrr!

Adolfinho cover disse...

Serafim do pinto,ou será começo?

cilmar machado disse...

Esqueçam do Serafim e falem de outro anjo: a Cíntia. Parabéns, embora atrasado. Só resta saber se ela se contenta em ser Virgem ( signo, é claro!)...

Mariana disse...

Olá Marco, essas questões alimentares tem sim que ser bem cuidadas. Nesse caso, é diferente, pois são produtos industrializados, mas aqui em Minas a questão vai mais além, pois a cada proibição absurda, destroem um pedaço de nossa cultura. Esse comentário está se saindo um belo desabafo, mas acabamos de viver uma situação revoltante aqui. São proibições e exigências absurdas, que parecem vir de pessoas que só ficam no escritório de terno e gravata. A briga aqui é com os produtos artesanais (não se pode usar mais "produtos caseiros"), é um tanto de normas, que fogem da realidade do produtor rural. Sou a favor sim de adequações, tudo pela nossa saúde, mas penso que deva ser enquadrado de acordo com a realidade dos pequenos produtores.