segunda-feira, 12 de abril de 2010

Desaparecidos 2

Sinto-me na obrigação de fazer um desagravo: no dia 1º de fevereiro, sob o título Desaparecidos, publiquei no blog um texto especulativo sobre o desaparecimento dos seis rapazes de Luziânia, episódio tragicamente encerrado neste final de semana. Obrigo-me a pedir desculpas pela futilidade do texto, irônico e inconsequente, onde não faltaram idéias estapafúrdias e divertidas sobre o destino provável dos seis jovens. Imperdoável que um repórter policial com a minha experiência não tenha antevisto a possibilidade de os desaparecidos terem sido vítimas de um maníaco.
No texto, são levantadas hipóteses irreverentes para o sumiço – como a abdução extraterrestre, rituais satânicos ou o escravismo sexual – nenhuma delas, contudo, encarada com um mínimo de seriedade. Tratei o assunto como uma grande brincadeira, como se as seis personagens cujo paradeiro era incerto estivessem participando de um autêntico teatro do absurdo. Peço desculpa aos poucos mas sensíveis leitores deste blog pelo tom sombrio, mas hoje me sinto um pouco responsável pelo ominoso desfecho.
Pois bem: os seis adolescentes da cidadezinha do interior do Goiás não foram carregados em discos voadores, não foram emprestar seu sangue virgem para tingir rituais de magia negra, não foram raptados para satisfazer os sonhos lúbricos de guerreiras nuas que cavalgavam em câmara lenta pela floresta amazônica. Não fugiram também por conta própria ou foram arregimentados para o trabalho escravo, únicas hipóteses sérias levantadas pela polícia. Eles foram mortos.
Mortos a pauladas por um maníaco sexual que os atraía em troca de dinheiro – para que fizessem pequenos trabalhos – e os descartava após satisfazer-se. Mortos por um doente que já cumprira pena por molestamento sexual e que, no mínimo, deveria estar sob constante monitoramento, mas não estava. Mortos para cumprirem uma premissa que neste Brasil parece cada vez mais presente: só se descobre o erro depois que o mal está feito.
Para eles, este meu respeito.

Na tentativa de amenizar um pouco a carga emocional, comunico aos meus prezados e indispensáveis colaboradores que hoje é meu aniversário: completo 54 anos – ou, como a vida começa aos 40, atinjo gloriosamente a adolescência.
Mas não me engano: daqui a seis anos, serei merecedor de atendimento preferencial nas filas e não vou mais precisar pagar ônibus.

24 comentários:

assis angelo disse...

olá, marco. boa tarde.
já enviei três comentários à sua postagem e nenhum saiu. como vê, continuo sem saber postar coisa alguma. mas sou insistente.
vamos lá de novo:
o brasil é assim mesmo. melhor, as autoridades que regem o nosso dia-a-dia são mesmo assim. carregam consigo um quê de absurdo, com afinidades involuntárias de autores desse mundo, como kafka, ionesco etc.
grande abraço,

assisangelo@ol.com.br disse...

ah!
e parabéns pelos 54.
já passei por isso e garanto: não dói nada, o que dói são as irresponsabilidades e injustiças tão comuns neste mundo globalizado.
outro abraço,
assis

Cintia disse...

Parabens!!
Estava marcado no meu calendario, portanto, mesmo se voce nao anunciasse, eu lembraria a todos que passam por aqui!!

Muito triste a historia dos rapazinhos..

Anônimo disse...

Parabéns, meu caro Zanfra. Depois dos cinquenta o que vem é lambuja.

abs
José Luiz Teixeira

Blog do Morani disse...

Olhe aqui meu caro Zanfra: em primeiro lugar o meu forte abraço pela passagem e entrada irreversível aos seus 54 anos. Parabéns. Já passei por isso há muito tempo, e que delícia foi alcançar aqueles 54 anos. Eu completava, então, outros seis anos de um novo casamento feliz, até hoje. Agora, nós não temos nada a lhe perdoar. Por quê? No Brasil todos os dias desaparecem milhares de jovens de todas as faixas de idade, e não se tem uma só solução para quaisquer deles. Sumiram e sumidos estão. A mim o desfecho do caso Luziania não seria esse que foi revelado. Pensei em fuga dos rapazes, por arengas, de seus lares; imaginei, com minha fértil cabeça, lances de transferências a outras cidades maiores, onde as chances de vida um pouco melhor são uma tentação a rapazes voluntariosos.
Você não deve desculpa a nem um só de seus leitores, mas é louvável sua humildade e coragem de reconhecer seu julgamento hilário. Culpada foi a nossa Justiça que deu liberdade a um tarado. Tarado será sempre tarado! (Abjeto o termo pedófilo, por ser nojento demais). Agora, uma revelação: você não está vivendo uma segunda adolescência só porque a vida começa aos 40. Você tem mesmo são seus 54 anos de vida, e bata palmas por isso! E continue com as suas deliciosas cronicas para o deleite de seus leitores. Banzai!

cilmar machado disse...

Zanfra:
Tenho comigo que a função do repórter e do jornalista, policial ou não, é realmente especular, levar todas as hipóteses aos seus leitores e mesmo motivá-los a pensar e a expressar o que sentem epensam. E isso você alcançou com o artigo sobre os joves goianos desaparecidos. Portanto, não se martirize qto ao que escreveu, pois cumpriu galhardamente seu papel.
Qto ao seu aniversário,o que lhe dizer na data mais significativa de sua vida? Felicidades, saúde, alegrias? Acredito que sejam imprescindíveis, mas não únicas. Ainda há lugar para sonhar, sorrir, viver e amar! E isso também é importante! Daí desejar-lhe a possibilidade de uma vida ampla, livre e realizadora. Há melhor presente de aniversário que isso?...
Um abraço amigo.

Gleydson disse...

Parabéns e aproveite bem a adolescência!

Abraços!

Débora Rosa disse...

Padrinho querido!

Parabéns por mais um ano de conquista, aprendizado e erros (explico depois a ultima palavra). Desejo saúde, paz, amor, dinheiro e que Deus conserve essa facilidade que tem para escrever e encantar a todos.
Espero que tenha gostado do presente (aí está o erro...), queriamos te dar uma camisa do corinthias...(Ah, André vai me desmentir)mas como palmeirense louco, espero que goste!
Grande abraço,
Débora (noiva do André) :p

Marco Antonio Zanfra disse...

Adorei o presente, Débora! Foi uma surpresa muito boa. Agora só falta o Palmeiras me dar a mesma alegria que vocês me deram!

Anônimo disse...

Prezado Zanfra
Parabéns pelo aniversário,segundo a numerologia (a soma da sua idade é igual a 9),o número 9 é bastante promissor pra dinheiro....comércio...etc...aguardamos seu livro.Agora,quanto ao "mea culpa",meu amor...muitos mas muitos....muitos....muitos, mesmo,precisariam é pedir perdão a todos nosotros.Foi apenas "acidente de percurso",esta é uma frase do ex-goleiro Leão...bem, você conhece,né?
Endosso todos os outros comentários que foram feitos até agora.
bjussssssssssssssss
sonia carotta

Serafim disse...

CARO ZANFRA

Eu fui um dos que acreditavam que os meninos tinham sidos "raptados" para o trabalho escravo.Errei feio.Mas esse,infelizmente,é o retrato do Brasil.Se o meliante é condenado a 30 anos de cadeia,cumpre 1/6 e é colocado na rua porquê não se condena logo a 5 anos em regime fechado e sem regalias?
Quanto ao aniversário,parabéns.E eu aqui pensando que a nossa diferença (4 anos) era menor.Levo uma vantagem,meus cabelos estão do mesmo jeito do tempo da Faculdade.

Abraços

Marco Antonio Zanfra disse...

Do mesmo jeito como, Serafim? Apenas compridos e desgrenhados, ou também sem um fio branco? Desde 95 eu corto meus cabelos à máquina: com cabelos grisalhos e encaracolados, já basta o Ziraldo!

Vico disse...

Pelo que entendi do noticiário, a avaliação psicológica do assassino indicava que ele precisava de acompanhamento constante, mas o juiz ignorou essa observação - porque, como vocês sabem, juiz só não é Deus porque o lá de cima não larga o osso. Mas vai falar mal de juiz... e você ainda toma um processo!

Gennara disse...

Realmente muito triste o final da história. Foi melhor o destino que você deu a eles, ainda que absurdas as versões de abdução, escravismo sexual e sacrifício ao diabo. Enquanto eles estavam viajando nas asas da sua imaginação, não estavam - pelo menos para nós - metidos em cova rasa em algum lugar esquecido do planeta.

fábio mello disse...

Opa, ainda da tempo de desejar muitas feliciades ao meu amigo Marcão Zanfra.

Aquele abraço!

Anônimo disse...

Puxa, que bom lembrar das pernas do Leao.. *suspiro*

Eliz disse...

Oi Zanfra,

Parabéns, muitas felicidades e muito sucesso também, especialmente este ano (lançamento do livro= best seller)... Em relação a sua brincadeira quanto ao desaparecimento dos meninos, infelizmente não há como prever tamanha crueldade, mesmo para um repórter policial.

Um bjao e abços.

Kafka disse...

Niversário, é? Dizem que os adultos do sexo masculino têm um triste compromisso, todos os anos, que é prestar contas ao imposto de renda. Depois que passa dos 50, passa a ter dois compromissos desagradáveis por ano: o imposto de renda e o exame de próstata. Já cumpriu os dois, eheh?

Marco Antonio Zanfra disse...

Eheh! Vai rindo!

Cintia disse...

Por seguranca, meu querido primo foi a tres medicos differentes, so pra ter certeza ;)

Marco Antonio Zanfra disse...

Sim, os três lindíssimos, escolhidos a dedo!

Fabiano Marques disse...

Meio atrasado,mas....cheguei.
Parabéns duplo.
Pelo aniversário e pela correção do texto.
Mostra que a adolescência o está deixando mais maduro.

Anônimo disse...

Realmente.....que pernas as do Leão!

Rivaldo R.Ribeiro disse...

Meu caro eu também já completei 54 anos, acho um pouco estranho porque não me sinto com essa idade.

A nossa geração não parou, imagine nós ainda estamos atuais com os computadores. Eu a cada dia descubro um segredo nessa máquina terrível. Passo os dias me atrevendo aqui e ali para melhorar meus blogs. Tudo que apreendi com a internet foi sozinho, com algumas dicas do meu filho.

Quantos aos jovens desaparecidos eu não estranhei a principio, podia ser sim alguma aventura, ou sonhos de vencer na cidade grande.

Eu mesmo quando jovem fiz muitos planos quanto a isso: Ir embora da minha terra, até que um dia conheci uma certa moreninha e finquei raízes por aqui mesmo, até hoje eu vivo numa pequena cidade de interior.

Diante disso quem poderia imaginar numa tragédia daquela, embora houvesse suspeitas.

Fique tranquilo, pois quem colocou aquele maníaco nas ruas não foi você. Foi a justiça e a lei brasileira, que existem momentos que tenho a impressão que não existem, e fico apavorado!