segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Notícias daqui e dali


Gosto de ler a “Folha de S. Paulo” – e por extrapolação a “Folha Online” – por razões sentimentais: foi lá que comecei minha carreira, no exato 21 de março de 1977, num setor que, como se vê pelos absurdos publicados às vezes, jamais poderia ter sido desativado – a revisão.
É uma coisa mais ou menos assim: você se sente parte da história do jornal – afinal, foram nove anos de dedicação, em duas etapas – e, por isso, continua como se fosse parte da família. Na leitura, eu me sinto como se ainda fizesse parte da redação e em algum cantinho qualquer daquelas páginas teria o prazer de encontrar um texto meu.
Não é um amor incondicional, é verdade. Teço minhas críticas a certas posturas, não canso de mandar meus “erramos”, mas, no geral, fico satisfeito com o conteúdo. Principalmente quando estou procurando algum assunto para escrever e me deparo com a relação de matérias “+ curiosas” da “Folha Online”, um achado que, às vezes – como hoje – apresenta uma seleção primorosa.
Acompanhe comigo e veja se eu não tenho razão:


Fugitiva de 33 anos se disfarça de menino de 13 em Oslo – para fugir de uma acusação de abuso infantil, a mulher (tcheca) raspou os cabelos, enfaixou os seios e passou quatro meses – eu disse quatro meses! – como se fosse um garoto na capital norueguesa. Uma professora da escola onde o garoto estudava acabou desconfiando. Demorou quatro meses, mas desconfiou...

Americano traído recebe indenização por ter mulher "roubada" – isso poderia render algum dinheiro aos cornos daqui, mas só vale nos Estados Unidos, onde existe uma lei que torna possível ser ressarcido pela “alienação de afeto”. Pela “perda social, de companheirismo, amor e afeto” decorrente da traição da mulher, um encanador do Mississipi conseguiu que o amante dela fosse condenado a indenizá-lo em US$ 750 mil. Desconheço casos semelhantes, mas, ô chifrinho caro!

Homem dorme nos trilhos e sobrevive à passagem de trem – quando li, fiquei frustrado, porque, na verdade, ele não dormiu “nos trilhos”, mas “entre os trilhos”. E, se for magro como este que vos escreve, capaz de nem perceber o trem passando...

"Estacionamento para amantes" gera polêmica na Itália – bote aí uma garçonete servindo salgadinhos e bebidas e você vai ter um “drive-in”, um daqueles lugares legais para namorar antes que os motéis acabassem com o escondidinho. Esse estacionamento aí de Cremona não é, pois, novidade nenhuma. Tratam-se de boxes cobertos onde os namorados podem fazer “o que quiserem” durante hora e meia, ao preço de 10 euros.

Mulher canadense processa traficante após sofrer overdose – o traficante era amigo de infância dela, arrumou-lhe uma dose cavalar de metanfetamina e a moça (23 anos) quase foi para o ralo: teve uma parada cardíaca e passou 11 dias em coma. A garota está pedindo US$ 50 mil, por danos e despesas médicas, e o traficante afirma que ela usou a droga tendo consciência do risco. Mais ou menos o que a Souza Cruz alega quando um fumante canceroso tenta processá-la... Só que a Justiça de lá deu ganho à mulher: só falta acertar o tamanho do prejuízo do trafica.

Gostou do aperitivo? Basta acessar a “Folha Online” (www.folha.com.br) para renovar o cardápio diariamente.

4 comentários:

betinhohirtz disse...

Não te lastimes pelo teu "amor".
Deves lastimar que, serei condenado a morte, do jornalismo não ser feito mais com aquele amor que tens ainda ao ler a Tua Folha.
Saibas que neste aspecto somos iguais. Foram 4 anos de Última Hora, 25 anos de Zero Hora e 6 anos de Diário,fora às Rádios. Já deves saber o que gosto de ler ou ouvir. Mas me irrita o colega escrever foi morto com 6 tiros. Ele foi executado com seis tiros.. Dois carros bateran na Via Expresssa. Dois veículos colidiram na Viva Expressa.
Não vou me alongar, mas é por aí...e ninguém revisa!
Abração e continua, não te entrega!

Anônimo disse...

É isso aí, Zanfra, eu tb fiquei na Folha por mais ou menos omesmo tempo que você e ainda tenho uma certa ligação com o jornal. Mas de vez em quando meto o pau nela...

abs

José Luiz Teixeira

Kim disse...

Eu tambem!! Eu tambem!! Quer dizer, adolescente embalista, fascinada com o charme meio "gauche" do meu primo jornalista (o Zanfra) e seus amigos, cheguei ate a ingressar numa faculdade de Jornalismo.. so pra poder frequentar a Folha e o Sub-solo..

Verdade, vejo cada erro que me assusta... Proximo que achar, eu mando.
Beijos

Cintia

Marco Antonio Zanfra disse...

Devemos deixar claro que o "subsolo" não era nenhum calabouço subterrâneo no prédio da Barão de Limeira, mantido pelos jornalistas para a realização de festivais orgíacos indescritíveis: o "subsolo" era apenas o apelido carinhoso que o boteco vizinho da Folha recebia de alguns - frequentadores menos contumazes - por ficar alguns centímetros abaixo do nível da rua. Os mais antigos, como eu, o chamavam de "Miranda"; os mais novo, de "bar do Mané" ou "bar do Juvenal". Hoje, aquilo virou um estacionamento... ao nível da rua.