segunda-feira, 9 de junho de 2008

Aquelas duas


O que aquelas duas estão fazendo no Exército?
A pergunta, a título de comentário, foi feita, segundo a Folha de S. Paulo, por um integrante da comunidade gay, ouvido a respeito do caso dos dois militares homossexuais que mantêm uma união estável desde 1997 e ganharam as manchetes depois que um deles foi preso, acusado de deserção, logo após participar de um programa de TV.
Entenda-se por aquelas duas os sargentos Laci Marinho de Araújo – o que foi preso em rede nacional – e Fernando de Alcântara de Figueiredo. E entenda-se o sentido da pergunta, salvo engano deste que vos perturba toda segunda-feira neste cantinho, como a reafirmação do pressuposto de que Exército não é lugar de biba.
É mais ou menos como perguntar o que aquelas duas estão fazendo no clero?, partindo do princípio de que a Igreja – que não tem nada contra uniões estáveis, desde que respeitados alguns dogmas – também não está ali para abrigar atividade homossexual. Ou melhor: não está ali, em tese, para abrigar atividade sexual nenhuma.
Ora, como todos estamos cansados de saber que nenhum lugar é bom ou ruim, adequado ou vedado a qualquer espécie de opção sexual, tal pergunta soa meio que andando em sentido contrário ao da passeata da história. Principalmente tendo partido de quem partiu, representante dos teoricamente primeiros interessados em desfazer certas posturas discriminatórias.
Mais do que pura e simplesmente preconceituosa, entretanto, a pergunta soa impertinente: por que não no Exército? Por que não nas Forças Armadas? Mesmo com salários menos sedutores do que há 20 anos ou mais, a carreira militar não deixa de ter seus atrativos: trabalha-se pouco – às vezes, apenas fazendo figuração no Dia da Pátria – e tem-se as garantias trabalhistas e a estabilidade de qualquer servidor público. Guerras? Só as simulações, ou, no máximo, uma partida de War ou de Counter Strike. E, por menor que seja o soldo, o militar jamais vai ficar sem o que comer, sem o que vestir e sem um teto que o abrigue.
Biba ou não, o Exército pode ser a solução!

Em tempo: é lógico que a pergunta no início do texto pode ter sido feita num sentido mais amplo, como, por exemplo, o que aquelas duas estão fazendo no Exército que ainda não saíram?, ou, com tanto lugar mais liberal para trabalhar, o que aquelas duas estão fazendo no Exército?, ou, ainda, o que aquelas duas estão fazendo no Exército, junto com aqueles monstros que querem destruir o seu amor tão lindo?
Mas, aí, eu ia escrever sobre o quê?

11 comentários:

José Luiz Teixeira disse...

Pois é, Zanfra, por falar nisso, por que mulher não pode ir pro Exército?

Marco Antonio Zanfra disse...

Boa pergunta. Na Marinha, elas se deram bem. No Exército, por causa dos tanques, não se dariam melhor?

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAH .. amei o trocadilho acima .. seu porco chauvinista HAHAHA

Anônimo disse...

Como sao as coisas! Os dois militares acima sao minoria dentro da minoria! Esse integrante da comunidade gay deve ser do sub-grupo das barbies, e nao entende que ser homossexual nao significa somente saltitar como o bambi, como o pior dos estereotipos(o que nao iria combinar mesmo com o exercito). O que tem uma coisa com a outra?

Anônimo disse...

Olá amigo, Zanfra!
Gosto muito de ler o que você escreve. Muitas vezes não consigo comentar, pois quando dá uma folga no serviço, entro e leio.
Agora não entendi muito bem a relação entre exército, tanque e mulher...hehe

O livro está quase lá, né?

Abraços

Débora (noiva do André :p)

Anônimo disse...

Oi Zanfra,
Este tema é muito relevante, não só pela questão da opção sexual mas principalmente pela inversão de valores que vivemos atualmente. O que importa se quem está desempenhando a função é homem ou mulher, ou "biba", ou padre? Se é gordo ou magro, feio ou bonito? O importante é o bom desempenho de suas funções; dentro da lei; a qualidade dos serviços prestados... Ora se no exército como você falou não se faz praticamente nada, qual o problema de um, ou um milhão de gays fazerem parte desta "indispensável" corporação.

Eliz

Anônimo disse...

Opa...
Não poderia deixar de comentar neste post!
Afinal, estás falando no seu texto sobre "Dois Torcedores do Bvai", ou seriam do Flamengo? Ou quem sabe do Corinthians?
Enfim...
Só pra descontrair né?
Mas o povo Brasileiro é preconceituoso demais mesmo.
Esses "dois" assumiram que são, e aqueles que não assumem?
Não tenho nada contra, acho que muitas vezes essas pessoas são muito mais responsáveis que qualquer outra.
Mas enfim, como este assunto é o que está nos noticiarios, o povo vai comentar.
E o pior, deve haver varios, que nesta hora estão se escondendo mais ainda, para não serem "pegos" como estes dois aí.
Um abraço.
André (noivo da Debora)

Anônimo disse...

Não sei por que o fato de duas bibas terem “saído do armário” ainda causa tanta espécie. Só porque são do exército? E daí? Melhor que as pessoas se acostumem com a idéia, gostando ou não...está ficando muuuiiiiito comum. Aliás, é preferível isso ao disfarce perpétuo, não achas Zanfra?
Abraços.
Guta.

Marco Antonio Zanfra disse...

Só não concordo com uma coisa, insubstituível Guta: não é que esteja ficando "muuuiiiiito" comum; está é ficando mais às claras. Comum, embora às escondidas, sempre foi!

Anônimo disse...

Ola Zanfra...
Desculpa a demora pra comentar, mas antes tarde do que nunca!
(risada, já que você pegou no pé do meu "huiauia").
Concordo com o André (noivo da Debora), independente se estão no exército ou não. Isso não os torna mais ou menos macho.
Há muito HOMEM sensivel, como BAD BOY homossexual...a questão é só UMA: Somos todos seres humanos!

Beijos
Bila Remzetti (noiva de niguém)

Anônimo disse...
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