segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A melhor do Brasil


Há 30 anos, fui durante alguns poucos meses aluno da Universidade de São Paulo. Concluí o curso de Jornalismo na Cásper Líbero no primeiro semestre de 1977, prestei vestibular para Direito no final do ano e, durante o primeiro semestre de 1978, frequentei exemplarmente as famosas Arcadas do Largo de São Francisco. (Se bem que passava mais tempo útil tomando cerveja na cantina do Centro Acadêmico 11 de Agosto do que na sala João Mendes Júnior, ouvindo as preleções dos mestres Limongi França e Teophilo Cavalcante.)
O rompimento de meu vínculo com a USP foi oficializado no dia do pindura – quando meu grupo deu calote no restaurante Eduardo’s da rua Nestor Pestana e fomos todos passear no 4º DP da Consolação – mas eu já havia iniciado o segundo semestre do curso decidido a abandoná-lo. Posso justificar em pouquíssimas palavras minha decisão: não tinha mais saco para frequentar uma sala de aula. E, se ia às Arcadas apenas para usufruir da cantina, era bem mais prático beber num dos vários bares próximos da Folha, onde já havia iniciado a carreira como repórter de polícia, do que ir a pé da Barão de Limeira ao centro velho da cidade.
Além disso, eu alegava – por brincadeira, claro! – que a qualidade de ensino era insatisfatória: como é que a famosa Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, com 156 anos de profícua existência e formando vários próceres da cidadania nacional, permitia a um aluno que ia lá apenas para beber que fechasse o semestre com 9,5 em Direito Civil e 7 em Direito Romano?! Que absurdo! Mais ou menos como Groucho Marx, eu é que não ia frequentar um clube que me aceitava como sócio.
Brincadeiras à parte, demorei vários anos para arrepender-me da decisão. Pelo andar da carruagem, teria terminado o curso de 1982. E hoje, quem sabe, poderia estar prestes a me aposentar como promotor de Justiça, ganhando pelo menos oito vezes mais do que como jornalista.
Tenho orgulho, porém, apesar dessa minha fugaz transitoriedade acadêmica, de dizer que fui aluno da USP. A universidade paulista é, afinal, a melhor escola do Brasil, repositório das melhores cabeças em qualquer esfera da ciência. Nas áreas de Humanas, Exatas ou Biomédicas, valoriza qualquer currículo ter passado pelos bancos escolares ou pelos centros de pesquisa da cidade universitária do Butantã. É um inegável referencial no País todo.
De modo que fui pego de surpresa com essa pesquisa do governo espanhol que colocou a nossa USP na 113ª colocação entre as melhores universidades do mundo. Como assim? A melhor universidade brasileira tem 112 outras universidades à sua frente no campeonato mundial?
A avaliação é feita pelo número de acessos, via internet, dos artigos produzidos pelas escolas. Por isso, é necessário que as universidades trabalhem por sua internacionalização. Não fazer isso justifica nossa baixa cotação. "O Brasil está produzindo mais cientificamente, mas de forma insular. É pequeno o número de pesquisadores brasileiros em redes internacionais. Assim, poucos conhecem as universidades brasileiras", afirmou a pesquisadora Elizabeth Balbachevsky. Segundo ela, um dos problemas da baixa internacionalização da produção científica do País é a perda de investimentos estrangeiros.
Mas parece que isso está sendo gradativamente - e felizmente - corrigido: a USP subiu 15 posições em relação ao levantamento feito em 2007, e isso, segundo a Reitoria, graças à preocupação em intercionalizar-se. A continuar assim, nossa USP, que continua sendo uma grande universidade brasileira, pode vir a ser uma grande universidade mundial.

6 comentários:

Anônimo disse...

Olha, imagino que estudar Direito seja bem chatinho, mas a materia em si e bem interessante.
E eu me lembro bem quando voce chegou a estudar na na Sao Francisco. Acho que o que voce queria mesmo e pelo menos uma vez na vida celebrar o DIa do Pindura com carteirinha.. por que sem carteirinha, aposto que o Boteco Sus-solo ja te conhecia :)
Mas viva a USP!

Anônimo disse...

Mas o que eu queria dizer mesmo e que voce sempre foi o ponto de referencia da familia (pelo menos pra mim). Voce foi o pioneiro em tudo, e a gente babava com suas empreitadas.. a primeira viagem pelo nordeste de mochila, com o Claudio, o primeiro a sair de casa, o primeiro a sair daquele pequeno universo piritubano em que a gente vivia.. E a lista continua...
Beijao

Lílian disse...

Õ Zanfra. Houve um tempo em que eu também quis estudar na USP, fazer um mestrado ou uma pós pelo menos. Mas quando visitei a USP (fiquei uma semana lá), mais precisamente o Instituto de Psiquiatria do HC, as pessoas me perguntavam de onde eu vinha e me diziam: "nao por favor, nao troque Floripa pela agitada Sao Paulo". Pode ser que "as uvas estavam verdes", mas a verdade é que nem USP me atraiu mais. Nao posso dizer que desta agua nao beberei, pois fazer um mestrado ou mesmo uma especialização lá é um "sonho de conhecimento". Espero que o nosso parâmetro de boa universidade nao esteja assim tao abaixo da média mundial, nao é mesmo?
Abraço

Anônimo disse...

OPA...
SE FORMAR EM 1982?
VIXI, ESTARIA NASCENDO E VOCE SE FORMANDO...
TÁ VELHO HEIN?
HEHHEE
PELO MENOS OS "ALUNOS" DE DIREITO DAQUELA ÉPOCA ERAM MENOS "ARROGANTES"?
PORQUE O QUE SE VÊ HOJE EM DIA NAS UNIVERSIDADES, SÃO ALUNOS (NÃO TODOS, MAS 90%) TOTALMENTE ARROGANTES. CONFESSO QUE "PREFIRO MANTER DISTÂNCIA" DE PESSOAS E PROFISSIONAIS DESTA ÍNDOLE. MAS TENHO ABSOLUTA CERTEZA QUE VOCÊ (EMBORA SEJA APELIDADO DE TOLERÂNCIA 0) SERIA DIFERENTE DESSES AÍ.
MAS, PARABÉNS A USP.
UM DIA AINDA IREI CONHECE-LA.
ABRAÇO
ANDRE
(NOIVO DA DEBORA)

Regina disse...

Marco Zanfra....interessante a sua jornada e sua apreciação sobre a classificação da USP...GOSTEI DE LER...

José do Carmo Lohn disse...

Ainda bem que você desistiu. Imagine um advogado mais afeito ao copo do que às leis, que tipo de desserviço não prestaria à sociedade.