segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O mainá é um gato!


Dizem que a necessidade é a mãe da invenção, mas eu acho que esse conceito tem potencial para se estender a uma capacidade de parir muito mais ampla. Na verdade, a necessidade é o princípio de todas as coisas que fujam um milímetro que seja de nosso padrão de conduta. Quem nunca ouviu a história da mãe que ergueu um portão de ferro muitas vezes mais pesado que ela para socorrer a filha que havia ficado presa sob os escombros, durante um terremoto ou coisa parecida? Não houvesse a necessidade de salvar a criança, de onde ela tiraria forças para isso?
O ser humano é essencialmente criativo, desde que instado a isso. A gente aprende a cozinhar quando se vê esfomeado numa barraca de camping, mesmo que esse “cozinhar” se resuma a esquentar uma lata de pomarola no fogareiro para passar o molho numa fatia de pão de fôrma. Aliás, a necessidade de se alimentar – e a fome, claro – transformam o pão de fôrma com pomarola numa iguaria digna dos melhores banquetes. Que me desmintam campistas famintos.
Você, meu caro leitor do sexo masculino, teria por vontade própria interesse em aprender tricô, bordado e origami? Não? Pois eu conheço a história de um filhinho de papai que aprendeu tudo isso – mais por necessidade do que por vontade própria – para se passar convincentemente pela noiva mui prendada de um xerife de pavilhão da extinta Casa de Detenção de São Paulo e, sob a proteção do “noivo”, livrar-se do assédio dos demais presos da ala. É claro que, além de manter as aparências, a família do garoto teve de morrer com algum, todo mês, para evitar que o noivo, ele próprio, resolvesse usufruir do, digamos, patrimônio moral do rapaz. Mas, pelo que me consta, a “noiva” saiu da Casa como entrou.
Os seres humanos surpreendem a si próprios com o que são capazes de fazer diante da necessidade, da obrigação de encontrar uma saída. Mas essa característica não é excusiva do homem. Alguns animais – não necessariamente adestrados por especialistas – conseguem desenvolver truques notáveis diante da necessidade de obter alguma vantagem. Minha mãe, por exemplo, tinha um cachorro que sorria com todos os dentes quando queria um afago. Equilibrar-se nas patas traseiras é coisa de principiante, qualquer cachorro com um mínimo de senso de equilíbrio faz... Mas nada suplanta a história do pássaro mainá qua aprendeu a miar para obrigar dois papagaios barulhentos a calarem sua voz irritante.
Aconteceu na China. Sabe-se que o mainá tem capacidade como os papagaios de reproduzir sons, mas dizem que ele o faz com sabedoria. Os papagaios falam como papagaios, se me permitem emprestar o lugar comum. O mainá, só quando tem necessidade.
Como neste caso. Ele já estava até a tampa com o barulho infernal que seus vizinhos de poleiro faziam quando percebeu que os psitacídeos se calavam ao ouvir o miado do gato da casa ao lado. Daí a aprender a miar para silenciar os papagaios foi um currupaco e meio. O dono das aves, porém, não sentiu vantagem: o mainá mia, os papagaios se calam, e tudo o que ele vinha ensinando exaustivamente aos três se perdeu no silêncio que perdura na casa.

Não quero transformar meu blog num cantinho zoófilo, mas os animais não param de me surpreender.
Outro dia, falamos dos elefantes que sabiam fazer contas e consternamo-nos com o filhote de baleia órfão que tentou mamar no casco de um barco e acabou sacrificado. Agora, a surpresa fica por conta da informação de que os chimpanzés podem reconhecer os membros de seu grupo pelo traseiro.
Numa pesquisa feita em Atlanta, nos Estados Unidos, os animais conseguiram associar fotos de traseiros e fotos de rostos (animal tem rosto?) de outros chimpanzés, atribuindo corretamente cada foto de cada ângulo (!) a cada indivíduo do grupo
Isso pode querer dizer muita coisa, mas também pode não querer dizer nada. Para uma coisa, porém, deve servir: se alguém disser que você tem cara de bunda, não se ofenda – essa pessoa pode estar querendo dizer simplesmente que você seria facilmente reconhecido por um chimpanzé, mesmo se estivesse no meio de uma multidão.

Ou: não adianta estar de costas ao cometer um crime se um chimpanzé for chamado para fazer o retrato-falado.

10 comentários:

cintia disse...

Lembrei-me da estoria de um cachorrinho vira-lata que, para poder atravessar uma movimentada avenida, comecava a mancar de uma das patas.. assim que atravessava sao e salvo, retomava o passo normal, leve e solta...

Cada vez me convenco mais de que Darwin estava certo! Senao, de onde viria a adoracao dos homens pelos traseiros femininos?

José Luiz Teixeira disse...

Zanfra, essas eu já vi:
1) O cachorrinho do caseiro de uma chacrinha que eu tinha em Itupeva, ao caminhar comigo e cruzar com um cachorrão que ameaçava atacá-lo, passou a mancar e a chorar. Memontes depois, longe de seu algoz, voltou a andar normalmente.
2) Nesse mesmo sítio, quatro formigas trentavam, em vão, enfiar uma folha dentro de um buraco menor do que ela. Depois de muito tentar, uma da formigas, nervosa, cortou a folha em dois pedaços e, assim, a levaram para dentro.
Diante disso, te pergunto: animais não raciocinam, mesmo?
Quanto aos macacos, quem sabe em um futuro próximo as mulheres comecem a andar com o bum-bum de fora, como as macacas, para que possamos identificá-las melhor. Os "crofrinhos' à mostra já são um pri meiro passo.

abs

lilian disse...

Acabou meu estoque de historias do Hulck (aquele cachorro, que fugiu e contava latinhas de cerveja e foi pro AUau-aunonimo). A cadela que me restou é uma tansa mesmo, nada racional, a bobona.

Mas quanto ao macacos, sabia que teria uma explicação para a adoração às bundas femininas. Esse "instinto" deve ser contagioso, pois vejo cada vez mais mulheres atentas ao "identificatório" masculino.

Anônimo disse...

Meu pai tem um ditado popular que sempre repete: "A dor ensina a gemer".
Acho que resume a idéia de que somos capazes de fazer o inimaginável diante de uma grande necessidade.
Agora, quem já teve um animal de estimação, certamente terá uma história para contar, que comprova a inteligência desses bichinhos e deixa os humanos de queixo caído.
Quando criança, tivemos um cachorro da raça boxer que só faltava falar. Ou melhor, não faltava, porque ele aprendeu a dizer a palavra "não". Juro. E ainda, abria portas de maçanetas redondas, roubava pão de trigo da mesa da cozinha (era louco por um pãozinho), mas sempre qdo não tinha ninguém por perto. E muitas outras façanhas.
Outro dia, recebi um e-mail que mostrava um cãozinho filhote de beagle que conseguia escalar um canil, pelo lado de dentro, e passar por cima da porta, dando um pulo. Se aquilo não for montagem, é incrível!
Bem, para finalizar, gostaria de parabenizar o ilustríssimo titular deste Blog pela iminente publicação de seu livro (agora é certo né Zanfra?), cujo lançamento também ocorrerá em breve tempo. Finalmente o reconhecimento de um grande talento literário!
Fiquei muito feliz ao receber essa notícia hoje (30/09). Aliás, hoje o aniversário é meu mas quem merece os parabéns é você Marco Zanfra.
Um abraço.
Guta.

Marco Antonio Zanfra disse...

Pelo contrário, cara Guta: você faz aniversário e nós merecemos o presente de sua brilhante participação nos comentários do blog. É sempre um prazer ler o que você escreve, principalmente no dia em que você completa (...) anos. (Como fiz com minha prima Cíntia, nem sob tortura confesso quantos anos a Guta completou).

Cintia disse...

Guta, Parabens!!

lilian disse...

Parabens Guta!Muitas e muitas felicidades!

Anônimo disse...

Muito Obrigada Zanfra, Cínta e Lilian.
Ah, e deixa que eu mesma confesso. Foram 21 primaveras que eu completei...hihihi...que mal há em revelar isso?? É claro que nem precisas ser torturado... Credo! parece bobo...tsc tsc tsc...
Guta.

Vico disse...

Vinte e cinco primaveras e quantos invernos?

Anônimo disse...

Parabens guta!
Bom, quando nos vemos "num mato sem cachorro", até aquele medo que temos de algo deixa de existir.
Poxa, macacos se reconhecem pela bunda é?
Kkkkkkkkkkkkkk
Esses bichos cada vez mais surpreendem a todos...
Zanfra, como disse a guta, parabéns pelos encaminhamentos dados ao seu livro, agora vai!

Quanto ao seu time o "porco", nao fique muito feliz não, pois alegria de palmeirense nao dura muito, e o Super Campeão Tricolor (Sao Paulo) está ali, cafungando no cangote de vocês...

Ah, pra provocar um pouco os torcedores de segunda: o Bvai, não vai subir não, eu tenho certeza...Aliás, já assisti este filme antes, lembram do Fortaleza? hehehe
Abraço
André Campos