segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Compre uma calculadora


Nós, pobres consumidores, estamos cercados de pequenas armadilhas nos estabelecimentos de comércio varejista, que nos pegam unicamente por nossa preguiça em relembrar a aritmética básica que conhecemos no curso primário. Estive observando que alguns produtos decorados com chamativos cartazes tentam induzir-nos ao erro, oferecendo-nos produtos mais caros sob a sedutora chancela do ECONOMIZE. Ao encontrar apelos do tipo OFERTA ou LEVE + PAGUE -, desconfie: eles apostam que você não vai fazer a conta e, certamente, vai pagar mais caro pelo que acredita estar pagando menos.
Nem vou citar os tradicionais casos dos rolos de papel higiênico – que oferecem preços convidativos, mas que têm uma metragem bem menor do que a concorrência – ou dos pacotes de biscoitos com o peso cada vez menor: depois que inventaram a maquiagem, para manter o preço diminuindo o produto, acho que todo mundo já conhece o golpe e ninguém cai mais, pelo menos inadvertidamente.
A armadilha que eu quero denunciar é aquela que poderia ser desmontada por uma simples maquininha de calcular, dessas de “um e noventa e nove”. Não estamos falando em matemática avançada, em logaritmos ou exponenciais: basta uma simples continha de vezes.
A primeira das armadilhas eu descobri quando procurava umas latinhas de cerveja para dar as boas-vindas ao meu irmão Rui, que viajaria mais de 700 quilômetros com a família para me visitar: em todos os supermercados que visitei, a lata estava em oferta por R$ 0,99; portanto – e não seria preciso ser nenhum Oswald de Souza para chegar a essa conclusão – um pacote com 18 latinhas custaria menos de R$ 18 (para ser exato, R$ 17,82), já que cada uma custava menos de 1 real. Mas não: no estabelecimento mais barato, estava por R$ 21,42, o que eleva o valor de cada lata a R$ 1,19. Tenho a impressão de que para pagar R$ 0,99 era preciso levar latinha por latinha.

Outra: o pacote de 500 gramas de café moído custava R$ 5,24; ao lado, um lote com quatro pacotes do mesmo produto ostentava a etiqueta (aquela!) LEVE + PAGUE – e o preço: R$ 24,20. Ora, quatro vezes 5,24 dá 20,96. Que raio de mágica é necessário para você dar R$ 3,24 a mais ao caixa e cumprir o leve mais e pague menos ostentado pelo cartaz?
Um último exemplo nem é tanto de oferta enganosa, mas de engodo por praticidade: uma garrafinha de um desses enxaguantes bucais contendo 500ml (leve 500, pague 400) custava R$ 6,78; outra, do mesmo produto, mas contendo 750ml (leve 750, pague 500), estava cotada a R$ 19,12. Novamente, pergunto: que raio de mágica (ou comodidade) é esta em que você paga 182% a mais para obter um acréscimo de 50% do enxaguante.
Para tornar mais simples o raciocínio: se você comprasse três garrafinhas de 500, pagando R$ 20,34 pelas três, teria o dobro da quantidade da garrafa maior, pagando apenas 6,38% a mais do que se tivesse optado pelo recipiente de 750ml. Simples, não é?
Simples, mas de pouco uso. Por isso é que as armadilhas sobrevivem. E o pior é que nesses casos nem dá para reclamar. Você não está sendo obrigado a comprar, e os preços estão ali, na sua frente, permitindo a comparação. Portanto, dá para não ser enganado. Basta fazer as contas. Ou comprar uma calculadora.

11 comentários:

Cintia disse...

Incrivel! Ainda ontem estava no supermercado para reabastecer meus materiais de limpeza e vi uma "pegadinha" exatamente como as que voce acaba de relatar: um Clorox desinfetante de banheiro, com 24 oz cusrava $4.99 (sim, muito caro!); lada a lado na prateleira estava a barganha: uma embalagem com dois do mesmo produto, mesma quantidade, com os dizerem parecidos aos seus, que custava $ 11.49! Duh!

Anônimo disse...

A matemágica usada pelos comerciantes, não surtiria efeito algum se não fosse pela falta de leitura (ou de contas)dos clientes.
De fato, para algumas pessoas, as expressões "em oferta" ou "de graça" soam muito mais aprazíveis do que um "eu te amo".

Marcello Zanfra

Marco Antonio Zanfra disse...

Respondendo:
1 - Cíntia: e eu que pensei que isso só acontecesse em países pobres...
2 - Marcello: tente oferecer dois "eu te amo" pelo preço de um "eu te odeio" e vê no que dá.

Blog do Morani disse...

09/02/09

Meu caro Zanfra:

Não sei, desconheço, mas acho que não sou desta época pela qual estamos todos passando. Pelas minhas atitudes, diante de "mágicas ofertas",não apelo para a maquininha de calcular nem caio no engôdo de "leve dois pague um". Simplesmente passo pelas ofertas porque elas não me tentam, nem me enganam ou me seduzem. Não creio no comerciante e muito menos nos fabricantes de alimentos. Outro dia enviei e-mail à fábrica de chocolates Garoto reclamando que a caixa de meio quilo antes vinha recheada com bombons tipo "Sonho de Valsa" e com outros de primeira linha. Ao abrir a última comprada notei que em lugar daqueles bombons encheram-na com esses biscoitinhos envolvidos por uma camada de chocolate e alguns "Batões". Ora, esses não podem ser considerados bombons. Além disso, diminui o número deles. Dos cinquenta de antigamente, hoje só se encontram vinte, e olhe lá! Aí, sim, faço valer a minha cidadania expondo a "pilantragem" e reclamando muito mesmo. O mesmo se deu com o fabricante dos biscoitos cream-crackers com gergelim. Antes, há pouco tempo, cada unidade vinha recheada deles e agora você essa "quantidade".Uma vergonha. Mandei e-mail reclamando. Só a Garoto me respondeu, mas não me convenceu. Depreende-se que: no dia em que os consumidores brasileiros deixarem nas gôndolas todas esses "porcarias disfarçadas" não as levando para casa, eles tomarão jeito ou fecharão. Até as barras de chocolates estão mais finas, os biscoitos, as balas, tudo encolheu, mas os preços estão lá em cima. Quer pior que os preços dos combustiveis? O preço do pretroleo no mercado internacional caiu, despencou mesmo. Aqui o preço, que já havia subido à alta do petróleo, continuou lá em cima enquanto em outros países "civilizados" e com "governos" sérios esses preços acompanharam a queda. Esse é o "Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro..."
Tá na hora de aumentar tudo, com o evento anual do Carnaval!!!!
Morani

Anônimo disse...

Vou só comentar sobre as cervejas que tive o prazer de degustar ,desfrutando do convívio de todos meus queridos em Florianópolis,usando uma parte,deturpada,da música "Cachaça mecânica"(Erasmo e Roberto):"Tanto que ele investiu na brincadeira(matemática básica),prá tudo,tudo,se acabar na sexta-feira.

Rui

José Luiz Teixeira disse...

O mais vergonhoso é quando os grandes magazines anunciam ofertas de vários produtos, com descontos,dizem, de 30%. Só que um mês antes, aquele produto estava custando mais barato do que no dia da tal liquidação com desconto. É trambique atrás de ranbique.É igual um oftalmo (Adamo?) que tinha convênio com o Sindicato dos Jornalistas. O convênio era o seguinte: ele dava 30% de desconto aos jornalistas, mas, detalhe, nesses casos não dava recibo. Perguntei à secretária "mas o que é isto?" Ela respondeU; umamistura de roubo com ladrão.

Marco Antonio Zanfra disse...

E o detalhe que não quer calar, Rui: pra tudo se acabar na sexta-feira... na mesma sexta-feira em que você chegou, duas horas depois de sua chegada!

Vico disse...

Pode não ser ilegal, mas é imoral. Capitalismo selvagem talvez seja o melhor termo a ser usado. Não importa o quanto tenham de ser lesadas as pessoas humildes, desde que o sagrado lucro se mantenha. Minha sugestão no caso da cerveja em lata é rasgar o invólucro plástico, passar uma a uma e pagar com um monte moedinhas...

Otavio Di Mello disse...

Ja percebi faz tempo, a mesma coisa acontece com pães e outros produtos, a do enxaguante bucal é velha.
Prestem atençao no preço do acúcar e o arroz de 1k para 5.
Na maior parte das vezes eles fazem isto com as latinhas, faço exatamente o que o Vico disse, abro o plástico e separo as latinhas ou garrafinhas e depois ainda peço uma caixa vazia para carregar.
Outra coisa interessante foi final do ano depois da virada que entraram em grandes liquidações.
Máquina de lavar 999,00 50% mais barata. Ora bolas elas ja custavam 999,00 em novembro. Se olhar hoje, estão a 999,00
TV 29 polegadas que ninguem mais quer aquele trombolho. 599,00 querem se livrar das bombas e ainda dizem que é promoção.
Portanto olho vivo.
Parabens pela sua observação.

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
Desde que as feiras-livres foram sucumbidas pelos super mercados dos produtos empacotados, nós, consumidores sem opções, ficamos à mercê desses exploradores mercantilistas que a cada dia ficam mais ricos, embutindo seus lucros nas mercadorias, aditando os impostos nas mesmas que recai na compra efetuada pelo cliente. Como a propaganda é a alma do negócio e não há quem a fiscalize (somente quando se torna público quando alguém é enganado), o abuso vai se ramificando pelas armadilhas especializadas de ludibriar a clientela, desde de a pesagem que não se pode contar com a “eficiência” do IMETRO (vide o frango congelado com metade do peso em gelo), até os demais produtos perecíveis com datas vencidas, retiquetados e repostos na prateleira, pois conforme o conceito na administração, toda empresa visa “o lucro” e empresário algum não quer ter prejuízo, não obstante a insatisfação do usuário pela aquisição de uma certa mercadoria em seu estabelecimento. E assim caminha essa nossa economia reticente onde o cidadão-eleitor-contribuinte ao ver seus direitos ultrajados, buscam soluções num amontoado de denúncias em algum PROCOM qualquer do país...

Anônimo disse...

Verdade. Ha tempos que vejo essas maravilhosas ofertas....porem,sempre acabo comprando duas embalagens menores que no final oferecem mais produto por menos. Como se desconhece...e muito a matematica....a maioria das pessoas acaba pagando mais caro.Vamos recordar as tabuadas.Faz bem pro bolso.