segunda-feira, 29 de junho de 2009

For export

Os ingleses parecem ter encontrado uma fórmula simples - se bem que nem um pouco ortodoxa - para amenizar seu problema de destinação do lixo: a exportação para o Brasil.
Embora não seja uma idéia original – a máfia italiana “exporta” o lixo para o continente africano faz muito tempo – a novidade é que a iniciativa de uma exportadora inglesa não traz implícito o caráter da ilegalidade que cerca um carregamento feito sob tutela de uma organização criminosa. Ou seja: numa atividade aparentemente rotineira e legal, eles conseguiram livrar-se, numa só viagem, do equivalente a quase 8% do lixo que é produzido por dia numa cidade como São Paulo. E ainda encontraram um pequeno espaço para a benemerência, como veremos a seguir.
Pois deixem-me explicar melhor a história: no começo de junho, 64 contêineres que deveriam trazer polímeros de etileno e resíduos plásticos para reciclagem – numa importação ao que tudo indica irregular por parte de empresas brasileiras – acabaram estocados nos portos de Santos (SP) e Rio Grande (RS) com cerca de 1.200 toneladas de lixo domiciliar, eletrônico e tóxico.
Além de sacolas plásticas, havia nos contêineres papel, pilhas, seringas, banheiros químicos, cartelas vazias de remédios, camisinhas, fraldas, tecido e couro, entre outros materiais. Até moscas e aranhas foram encontradas nos recipientes com o material “importado”.
O mais interessante da história é que havia, dentro de um dos contêineres carregados de lixo, um compartimento lotado de brinquedos usados, trazendo duas recomendações a quem se encarregasse do recebimento da carga: a primeira, “por favor, entregue estes brinquedos para as crianças pobres do Brasil”; a segunda, no mínimo saudável, “lavar antes de usar”.
Pela documentação da carga entregue nos postos de alfândega, o que estava nos contêineres era o que deveria estar: o material plástico destinado à reciclagem e originalmente aguardado pelos destinatários. A Receita Federal brasileira não sabe dizer se as autoridades aduaneiras inglesas foram também “enganadas” sobre a carga que estava sendo transportada. Tudo indica que sim, porque o fretamento, da forma como foi feito, fere as convenções internacionais que regulam o transporte de resíduos perigosos.
A importação de polímeros de etileno para reciclagem é uma atividade legal, mas as cinco empresas brasileiras envolvidas na transação – quatro gaúchas e uma paulista – não tinham autorização do Ibama para fazê-lo. Por isso, além da inconveniência de receber 1.200 toneladas de um material indesejado, cuja devolução é de sua responsabilidade, elas foram multadas em R$ 408 mil cada uma.

Dizem que o avião é o meio de transporte mais seguro que existe – e há até estatísticas para comprovar esses boatos – mas, nas circunstâncias em que a tragédia da Air France ainda respinga no noticiário diário, o que vocês fariam se o piloto de seu voo pedisse que os passageiros mudassem de assento e se concentrassem nos fundos da aeronave, para contrabalancear o excesso de peso da carga na parte da frente do aparelho?
Pois 71 passageiros de um voo entre Mallorca (Espanha) e Newcastle (Reino Unido) fizeram o que eu acredito teria feito a maioria de meus poucos mas precavidos leitores: esperaram o próximo avião.
A empresa aérea disse que o procedimento é padrão e que o voo seria totalmente seguro, mas, se o remanejamento deveria ser feito porque uma das portas do compartimento de bagagem emperrou e obrigou à concentração da carga num só ponto, o que mais poderia emperrar quando o avião estivesse a 20 mil pés de altitude?

19 comentários:

Fabíola disse...

Bom Zanfra...

Tenho que te parabenizar, pois és uma pessoa que escreve muito bem. Tão bem que não entendi direito esse texto hauhaiuhaiuh.

Mas falando do avião, eu seria uma que sairia e esperava o próximo voo.

Tem gente que sai do onibus porque a catraca está quebrada, quem dirá no avião. (conheces essa frase?)
hauhaiha

beijos

Cintia disse...

O manuaseio/reciclagem de restos industriais, quimicos, etc e uma atividade necessaria e rentavel. Com a conscientizacao ecologica, pode ser um bom campo a se explorar. Acredito na regulamentacao E fiscalizacao para que isso possa acontecer de maneira a que nao venha a causar mais danos no meio ambiente. Caso contrario, picaretagens como essa vao continuar acontecendo, trazendo toda o lixo toxico para nosso quintal..

Rivaldo R.Ribeiro disse...

Olá Marco foi um prazer receber um email seu. Mas por enquanto e estou com um conjuntive terrível que está impedinto de ler ou escrever o pouquinho que consigo.

Dei uma "panoramica"no seu blog achei perfeito.

Quando for possivel vou coloca-lo la lista de links do meu ALDEIA MUNDUS.
E cadastrar o seu email nos contatos preferenciais do YAHOO

Nossa como dói uma conjuntivite!

Até mais,

Rivaldo.

Mariana Accioly disse...

Além de exportarmos o que temos de melhor para Europa, ficamos com o lixo deles.É rir pra não chorar...

cilmar machado disse...

Embora tenha achado o texto prolixo ( ou seria, pro...lixo?), ele serviu de alerta ao cidadão brasileiro que já está acoradando para os benefícios da reciclagem em benefício do meio ambiente. A primeira medida a ser tomada seria reciclar a maandragem européia em querer nos vender seu lixo. O que é issô? Não nos roubem o direito de levar vantagem em tudo. Essa é uma conquista dos brasileiros desde os tempos de Gerson.
Um abraço, Zanfa.

Sara disse...

Já não temos bastante lixo para ser reciclado? Precisamos importar?

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
Desde os tempos coloniais que o Brasil e os demais continentes subdesenvolvidos sofrem com os desmandos externos.A contar com o Tratado de Methuen que controlava a economia do Brasil-colonia do século XVIII até a ousadia atual de quererem se apossar da Amazônia por motivos escusos.Eles lá,acabaram com as suas florestas, pois só restam apenas 3%, e como não há espaço para depositarem os venenos excedentes,jogam para o nosso lado que recebem de "braços abertos",tacitamente.Ou teremos uma política austera ou nos a fundaremos com eles.

Kafka disse...

Mais um acidente com airbus... Parece que as profundezas dos mares resolveram começar a engolir gente!

Regina disse...

eh...ta ficando dificil viver! E como sobreviver a tudo isso? lixo e sustentabilidade....avião e segurança...

Vico disse...

Não entendo: o pessoal que costuma catar lixo reciclável pelas ruas da cidade anda reclamando que o trabalho não está compensando mais, por causa do baixo preço que os "atravessadores" estão pagando. Na escassez do lixo nacional, então, eles resolveram importar? Sai mais barato do que comprar dos pobres catadores brasileiros, mesmo descontando algumas fraldas sujas, seringas contaminadas e camisinhas usadas que porventura venham de carona no meio dos contêineres?

Anônimo disse...

Prezado Zanfra
Parabéns pela matéria.E eu que pensava que ingleses e italianos fizessem parte de um mundo civilizado que prima pelos bons costumes.Que engano...além de porquinhos...mandam emporcalhar quintal alheio. Isso não é de primeiro mundo. E não há nem a hipótese de serem falsos ingleses ou italianos. Mama mia!Sugiro a compra do lixo japonês,se não vier reciclável,pelo menos, as famílias poderão mobiliar suas casas e creia, com produtos "inteiraços" e sem cupins. rsrsrs
beijo em seu coração

sonia carotta

Marco Antonio Zanfra disse...

Você me deu uma boa idéia para a próxima postagem, Sônia...

Tércia disse...

O trágico desse caso do avião iemenita que caiu no oceano Índico é que a empresa é acusada de ter uma frota sucateada, e o aparelho acidentado é considerado como uma das piores peças dessa frota. Quer dizer, dá para colocar a culpa em quem nesse caso? Destino?

Serafim disse...

Zanfra

Poderíamos fazer o seguinte: em troca do lixo mandaríamos alguns polítos brasileiros. Acredito que sairíamos ganhando.

Abraços

Marco Antonio Zanfra disse...

Tem razão, boa idéia: eles mandam material inservível, nós mandamos material inservível.

Cintia disse...

Voce esta um pouco enganado: hoje em dia ha muitas tecnicas para "limpar" o lixo industrial e muita coisa pode ser reaproveitada como combustivel. Agora, quanto aos politicos...

Anônimo disse...

Prezado Zanfra
Esqueci de falar sobre os voos.Mal acabamos de nos recompor, ou pelo menos, estamos nos recompondo de um desastre aéreo no oceano e ocorre este último,no Indico.Há muita coisa errada...carga com passageiros...não me parece uma composição certa. É claro que quando houver a necessidade de contra peso,não serão os passageiros que devem fazê-lo.Seria bom as empresas aéreas reverem seus procedimentos senão acabaremos vendo as mesmas no maior caos de todos os tempo
sonia carotta

Gennara Vitti disse...

Concordo com a Tércia quando ela diz que não se pode culpar o destino pelo acidente com o avião do Iêmen. Mas e o caso dessa menina de 14 anos, a única sobrevivente? Como é que pode um avião cair no meio do nada com 152 passageiros e apenas uma menina, que nem sabia nadar, conseguir sair com vida? Como os céticos podem explicar isso?

Marco Antonio Zanfra disse...

Não creio que possam explicar, Gennara. Podem dizer que foi coincidência: afinal, um vivo entre 152 mortos é muito mais fácil de acontecer do que sair uma megassena entre 160 milhões de apostas.