segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Barata tonta é tu!


Descobri dia desses que a expressão "barata tonta" não tem qualquer fundamento científico. Criado provavelmente num momento de despeito por um ser muito mais frágil que elas – incapaz de sobreviver, por exemplo, a uma catástrofe atômica – o epíteto atribui às baratas um senso de desnorteio que elas absolutamente não têm. Tonto é o ser humano, que, diante da visão de uma cascuda com as antenas tremelicosas, não sabe se saca um chinelo ou sobe numa cadeira.
Pesquisadores que estudam o comportamento de fuga de um animal frente a um predador descobriram que a barata não foge aleatoriamente quando se defronta com a ameaça de uma chinelada, mas escapa em direções predeterminadas, que variam de 90 a 180 graus de divergência do ponto onde se encontra o perigo. Essas rotas alternativas seriam controladas por um sistema neural e a variação no ângulo de escapada evitaria que o predador "aprendesse" o padrão de fuga. Tudo muito estratégico.
Não sei até que ponto essa descoberta pode efetivamente contribuir para o futuro da Humanidade – a não ser, claro, para nos orientar sobre os ângulos preferenciais aonde direcionar o chinelo – mas sei que a constatação veio acrescentar mais um quesito ao já extenso rol de coisas inexplicáveis, para mim, na construção do Universo. Por exemplo: não bastava ser apontado como resistente a uma guerra nuclear e às altas temperaturas, temos agora de conviver com a informação de que o bicho é estrategicamente dotado para a fuga?
A barata é apenas um dos muitos seres vivos para os quais eu não consigo encontrar uma justificativa de existência. Tenho aqui comigo um plano para um futuro que espero ainda bastante remoto: se for comprovada a existência de Deus, e se for confirmado que é Ele o responsável por essa balbúrdia toda, quero ter com ele, quando chegar a hora, uma audiência onde me seja apresentada, detalhadamente, a explicação para a necessidade de criação de uma série de viventes, que, para mim, são absolutamente inúteis, nocivos, aterrorizantes, incômodos e, às vezes, metidos a besta, como a barata.
Duvido que Ele me receba – deve ter uma rede de assessores do segundo escalão para atender à imprensa, especialmente aos que já atingiram a condição de procurá-Lo pessoalmente – mas, se o fizer, quero que me explique tintim por tintim, minudenciosamente, que motivos O levaram a obrigar-nos a conviver com as cobras, os pernilongos, os sapos, as aranhas, os escorpiões, os ratos, as moscas, os ácaros, as formigas, as pulgas, os carrapatos e mais uma infindável série de parasitas, animais peçonhentos, hospedeiros e vetores de pestes ou simplesmente perturbadores de nosso sono que nos acompanham do nascimento à morte.
Vou avisando que não aceito a simples menção a uma provável cadeia alimentar para justificar a existência do rato, como virtual fonte de proteínas para a cobra – pois, se não fosse criado um, não precisaria ter sido criado o outro, e nós não sentiríamos falta de nenhum dos dois – ou a atribuição de minúsculas e imperceptíveis funções às formigas, por exemplo, alegando que somente nas horas vagas, depois do incansável trabalho de garantir a drenagem das águas pluviais, é que elas invadem nossas casas. Não me basta isso.
Quero explicações consistentes e que não admitam réplicas. Só assim eu consigo me conformar com o fato de tê-los como parceiros no meu dia-a-dia. E com a triste certeza de que, muito depois de a Humanidade desaparecer da face da Terra, as baratas ainda estarão por aí, exercendo sua capacidade de fuga.

15 comentários:

cintia disse...

Alerta! deixe-me almocar primeiro depois eu leio.. Nao sei se seu texto e metaforico ou nao.. melhor nao arriscar.
Voce vai conseguir sair de Florianopolis com esse aguaceiro todo?
Beijao

Marco Antonio Zanfra disse...

Parece brincadeira! Fico cinco anos sem tirar férias e, quando consigo, não tenho como sair. Além de morar numa ilha, estou ilhado dentro de minha própria casa, porque o terreno está alagado e a água está custando a baixar - mesmo com a chuva dando trégua desde ontem à noite. Pior: terreno alagado significa falta de dispersão da água, falta de permeabilidade - e isso traz conseqüências diretas ao bom funcionamento do esgotamento sanitário, se é que você me entende. Então, belas férias as minhas, pois não?

Anônimo disse...

Prezado Marco Antonio.
Já tinha lido sobre as baratas e como elas parecem tontas mas intimidam as mulheres porque correm na direção certa e em zig-zag, para onde a pessoa está. Eu não tenho medo de barata e nem de rato, só o que me apavora é aranha .
Sobre a chuva estou lendo nos jornais, como elas estão judiando das pessoas.
No sabado quando voltava de Amparo para São Paulo , as 18:hs começou a chover depois que passamos por Campinas, e era uma chuva tão forete que não se via nada. Uma viagem que demora uma hora e meia, levou quase 3 horas. eu achei uma delicia, porque não estava guiando e meu marido que cdorre muito veio bem devagar na terceira faixa , o carro era novo, viemos ouvindo musica a estrada ótima e muito bem sinalizada, uma delicia. Sou a favor dos pedagios porque é um imposto que só paga quem usa, e nas estradas de São paulo, ele vale o que se paga.
Um grande abraço
Maria Gilka.

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
O termo barata tonta se refere quando a mesma recebe um certa dose de veneno, e por isso,fica rodando um pouco até cair morta.Na falta do veneno,uma excelente pisada termina de esmagá-la, sem chances de entrar no ritual da dança da rodada.O que se percebe na seara das pesquisas científicas é um investimento altíssimo em dollars para se apresentar resultados feito esse, variação angular, que de qualquer maneira termina sendo pisada até estufar aquela massa interna repugnante;outra desses pesquisadores,aconteceu no Japão, foi a criação em laboratório de uma sapo transparente, branco, para se visualizar os orgãos internos, evitando a dissecação, em contrapartida,injeta-se células cancerígenas para acompanhar o crescimento da doença;e para finalizar,se não me engano, na Antárctica grupos de cientístas permaneciam horas contemplando pinguins para saber se eles se desiquilibravam quando olhavam para trás.O mundo está cada vez inchando, doenças milenares reaparecendo,a água doce ameaçada extinguir futuramente, alimentos contaminados, e essa turma da prospecção científicas apresenta resultado desses? Quanto ao nosso Poderoso e eterno Deus,logo na criação do Universo, foi bem enfático ao delegar poderes ao homem sobre todos os animais da terra.Então, cabe ao homem extinguir o que não for salutar,no caso de baratas, incetos e tudo o que for nocivo à sua saúde, independentemente do que se fala em "equilíbrio ecológico",pois sempre há uma certa resistência pelo lado da biologia, fundamentando a existência de baratas,ratos dentre outros componentes da "famosa cadeia alimentar".No tocante às enchentes do sul (divagando),isso é mais problema político, pois as regiões atingidas pelas águas é um fato costumeiro,todos os anos acontece isso, porque a maioria das cidades está localizada abaixo do nível do mar, e isso facilita os transbordo das águas proveniente das chuvas que inundam os rios, deixando a população ilhada.Adite-se também,a falta de saneamento básico que em todo o país carece desse sistema.A única solução é levar todo esse pessoal das regiões ribeirinhas para as localidades mais altas.Urge um estudo geodésico, objetivando uma mudança de toda cidade que prejudicada pelas chuvas torrenciais,seja construída em terreno mais sólido e alto.Pode ser que eu esteja errado nas minhas afirmações,porém tentei contribuir com essa sugestão.

José Luiz disse...

E aí, Zanfra, tudo bem? Já reservou seu lugar na arca de Noé?

Cintia disse...

Pois veja o mundo do ponto de vista das baratas: elas vao querer uma audiencia com Ele (que nao sabemos a forma que tem, se é que tem uma) para saber o porquê de ter colocado os humanos no mundo, obrigando-as a uma convivencia muito estressante e perigosa, a troco de quê? Elas nao conseguem ver o custo beneficio dos humanos, e nao va lhes falar ca cadeia alimenticia, para qual os humanos nao contribuem..

Marco Antonio Zanfra disse...

Do ponto de vista das baratas, os humanos contribuem muito para a cadeia alimentar, pois são os humanos os porcos que deixam sujeira por todo canto, contribuindo para a "proliferação baratal" (dizem, não sei se é verdade, que a cada barata dada ao conhecimento humano há outras mil ocultas; deve ser verdade: há quatro mil espécies de baratas e elas estão entre nós há cerca de 380 milhões de anos). E, ainda quanto à cadeia alimentar, os seres humanos são o maior elo de consumo: podem não ser comidos - literalmente, quero dizer - mas comem pra cacete!

cintia disse...

e os ratos? sao pareo para elas?

Marco Antonio Zanfra disse...

Os ratos não são tão "históricos" e não têm uma diversidade tão grande de espécies. Mas, por falar em "história", os ratos acabaram de reviver aquela antiga lenda, datada de 1.284, quando invadiram a cidade de Hamelin e foram conduzidos para fora por um flautista. Só que a prefeitura de Hamelin, desta vez, vai dispensar o encanto da flauta e apelar para a ratoeira, mesmo.

Cintia disse...

Pode ser..
Mas nunca houve uma barata tao famosa quanto o "Ben".. a unica que eu me lembro foi a D. Baratinha que achou uma moedinha e queria casar.. Perai! O noivo escolhido foi um ratinho :) O circulo esta se fechando!

Estou embevecida com seus conhecimentos "praguisticos (de pragas, mesmo!)

dirce peixoto disse...

E com essa chuvarada toda aí, muitos ratos e baratas também foram para as cucuias?

Anônimo disse...

Não sou religioso, mas acho que todos esses seres nocivos que você apontou devem ter sua função no universo. Deus não os teria criado se para alguma coisa eles não servissem. Você já pensou o que seria dos fabricantes de inseticidas se não existissem moscas, baratas, pernilongos e formigas?

Cássio Jones

fábio mello disse...

E aí, Marcão, como estão as coisas?

Marco Antonio Zanfra disse...

Por aqui está tranqüilo. Florianópolis foi pouco atingida. O Sul da Ilha, onde moro, ficou cheio de água, mas já baixou. Não posso dizer o mesmo de Blumenau, Jaraguá do Sul, Ilhota, Itajaí e outras mais ao Norte do Estado. Ali, parece que a recontrução vai virar o ano.

fábio mello disse...

Bom saber que está tudo bem no lar dos Zanfra.

Ciça manda beijos.