segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Minha perna esquerda


Fui passar uns dias em São Paulo e voltei com LER na perna esquerda: lesão por esforço repetitivo de tanto acionar o pedal da embreagem do carro, no pára-anda-pára-anda do trânsito paulistano. Tive a felicidade de pegar a marginal Tietê de oeste a leste bem umas quatro ocasiões, além da via Dutra outras tantas vezes. Só por aí acho que já garanti a remição de alguns pecados menores.
Que me perdoem os paulistanos, mas acho que São Paulo tornou-se impraticável para alguém que ficou fora por uns tempos. Depois de 11 anos morando em Florianópolis, não consigo sequer imaginar a possibilidade de ter de enfrentar novamente, todos os dias, os percalços do trânsito da paulicéia. Talvez quem esteja vivendo esse drama todos os dias consiga até acostumar-se a ele, como a gente se acostuma a um calo ou uma unha encravada. Não é o meu caso, porém.
Não quero dizer que Florianópolis não enfrente problemas de fluxo viário, de congestionamentos. Mas há diferença entre o congestionamento pontual e o congestionamento perene. Em Florianópolis, você encontra o trânsito amarrado nos horários de pico; em São Paulo, não há mais horário de pico. Na marginal Tietê, por exemplo, o rush é das 5 às 23. Ou mais.
Acho que o paulistano, aliás, tem uma quedinha pela marginal. Quando eu cobria como repórter da Folha – muitos, muitos anos atrás – os problemas que a inundação dos baixos da ponte das Bandeiras trazia ao trânsito na extensão da avenida, percorríamos com o carro da reportagem toda a área afetada, da Lapa à avenida Aricanduva, dando ainda uma esticadinha até a Radial Leste, sem qualquer entrave. Quer dizer, a gente circulava para lá e para cá sem problemas, mostrando que há caminhos alternativos, enquanto o povo ficava ali, paradão, na marginal.
E o pior é que muitos anos se passaram e a situação continua a mesma: no último sábado, depois de sofrer bem uns 40 minutos na marginal Tietê, desde a saída da Dutra, escapei do inferno pela ponte do Limão e descobri que na Marquês de São Vicente dava até para jogar bola na rua, de tão vazia que estava. Era possível, pois, sair do congestionamento. Mas quem queria sair da marginal?
Devo confessar no entanto que, pior do que enfrentar o trânsito da marginal, é ter o carro quebrado no meio daquela bagunça toda. Tive a oportunidade de ficar quase uma hora com o carro estacionado no canteiro central da via local da marginal, bem em frente ao Center Norte, enquanto esperava o socorro do guincho, sendo observado, com um olhar entre a condescendência e o sarcasmo, pelas dezenas de outros motoristas, que passavam à espantosa velocidade de cinco ou seis quilômetros por hora. Algo para não ser esquecido...


Estou escrevendo de Ponta Grossa, última etapa de minhas férias. Para não parecer injusto com São Paulo, quero lembrar que também exercitei muito a perna esquerda nas diversas paradas (oito) para pagar o pedágio na viagem de lá para cá.

12 comentários:

Cintia disse...

Voce nao pode estar morando em Florip ha onze anos... Eu ja estava aqui quando voce saiu do Japao e ate me ligou de Los Angeles.. Eu cheguei em maio de 97..
Alo POnta Grossa! As meninas daquela tal cidade ainda gostam dos rapazes daí?

Acho que nao dirijo mais em Sao Paulo desde que saí... Nao suportaria o tranco..

Ricardo Câmara disse...

Prezado Zanfra;
Enfrentar o trânsito de São é prova de paciência e poucos passam nesse aspecto,haja vista o comportamento neurótico do paulistano entre buzinas,insultos ante os veículos que trafegam em marcha lenta a frente de um outro ou enguiçam em meio à pista de rolamento;enfrentar as intempéries, principalmente quanto se trata de um temporal violento, ocasionando a perda do veículo e o cidadão ficar ilhado com a família em alguma auto-estrada e perde todo o fim-de-semana.Aos que conseguem superar o cotidiano do trânsito louco da paulicéia, estão de parabéns!Eu não consegui. Morei sete anos naquela urbe, chegava atrasado ao trabalho, discutia com facilidade, tudo causado pela pressa de se chegar a algum lugar que é a praxe do paulistano.Quanto à LER, Zanfra,para se evitar tal lesão sempre é bom se submeter uns trinta minutos de alongamentos diário para se evitar essas distorções.

José Luiz disse...

Zanfra, é por essas e outras que meu carro é automático.

Marco Antonio Zanfra disse...

Respondendo:
1 - Cíntia - eu liguei de Los Angeles em setembro de 1997; em dezembro, já havia comprado casa em Florianópolis. Fazendo as contas, 11 anos.
2 - Zé Luiz - carro automático te livra de ficar pisando na embreagem, mas não te livra do trânsito; e outra: pode ficar sem bateria se deixar a lanterna acesa por muito tempo...
3 - Ricardo - pois eu tive o carro quebrado na marginal, como contei. Queimou o cachimbo, manja? Mas o pior é que, no dia em que cheguei - com chuva, à noite, depois de enfrentar a marginal todinha parada - tomei uma multa por excesso de velocidade na Dutra.
Como se fosse possível andar acima da velocidade na Dutra: ou você anda no fluxo, ou é "atropelado" - isso significa que todos os outros que estavam no fluxo devem ter sido multados, como eu.
O detalhe é que fazia 20 anos que eu não era multado.

Fabíola Remzetti disse...

Ai Zanfra..que férias! Realmente o trânsito de São Paulo está horrivel, andei por aí esse ano e não aguentei ficar uma semana, pois até o ar é pesado.
Aproveite o restinho de suas férias e tenha um Feliz Natal.

Beijão

P.S: Cuide dessa perna hehe

Bonassoli disse...

Sampa é o que há.
Uma pena que Floripa só tenha copiado de lá as partes ruins. Tipo... o trânsito.

Marco Antonio Zanfra disse...

Respondendo:
1 - Magoo (Bonassoli)- o trânsito em Florianópolis vai ter de piorar muito para pensar em copiar o de São Paulo.
2 - Bila lindinha - segunda-feira estou de volta; o peso de todo o ar que respirei em São Paulo vai diluir-se por encanto logo que eu olhar para você outra vez.

Cintia disse...

Pois eu ontem lembrei-me de sua perna esquerda.. Para ir do trabalho pra casa, 10 milhas (qtos km?) levei nada menos que 2 horas e 15 minutos. Detalhe: Depois de uma tempestade de neve, o carro dançava na pista - e isso a menos de 10km/h.. Se parava, tinha que andar de novo bem devagar e virando o volante pra la e pra ca, para corrigir as derrapadas!
Que saudades de Sapo PAulo!

Cintia disse...

Leia o outro post primeiro..

Detalhe: so uso a perna direita pra dirigir (so tenho 2 padias..) A perna esquerda ficou descansando o tempo todo..

Fabiano Marques disse...

Ei! Errante Zanfra!!
Sorte sua que vai voltar este ano de PG (se já não voltou), caso contrário, iria parar nos novos pedágios da 376 e da 101.
Falando da Princesinha dos Campos Gerais, devo embarcar numa aventura por aquelas bandas à partir da semana que vem.
Então, já aprendeu a ver os vídeos da RBSTV? heheheheh
Abrassss

Marco Antonio Zanfra disse...

Já voltei, Fabiano. Desses pedágios novos eu escapei, por enquanto. Escapei dessa, mas recebi outra má notícia: o governador cancelou so pontos facultativos e nós vamos trabalhar inclusive no dia 2 de janeiro.

Vico disse...

É uma inversão de valores absurda: sair de férias em Florianópolis e ir descansar em São Paulo? Nem Freud explica!