segunda-feira, 9 de março de 2009

Fenômenos

Refestelado numa poltrona de vime no jardim de inverno de sua mansão em Valência, na Espanha, meu amigo Carlos Martí deve estar com um sorriso de oreja a oreja por causa do primeiro gol de Ronaldo Fenômeno vestindo a camisa do Corinthians. Menos pelo Ronaldo e mais pelo Curintcha, claro: apesar de intelectual internacionalmente consagrado, o Espanhol foi acometido por um ligeiro desvio de conduta na infância e é corintiano desde então. E não tem nada melhor para um corintiano do que ganhar do Palmeiras, ainda que seja no par-ou-ímpar.
A pergunta é: dá para ficar triste quando o primeiro gol do Fenômeno, com repercussão mundial por ser Ronaldo quem é, sai justamente na partida contra o arquirrival Palmeiras, e aos 48 do segundo tempo, quando o garçom já havia começado a varrer debaixo das mesas?
Como palmeirense, não nego que fiquei feliz pelo Ronaldo – por tudo que ele passou, pela descrença em relação a sua recuperação e por tudo que ele representou e representa, afinal. Mas não posso negar também que fiquei frustrado por ter o grito da vitória contra o Corinthians calado já no chamado apagar das luzes. Qualquer que fosse o autor do gol de empate, estávamos com a vitória nas mãos desde os quatro minutos do segundo tempo. Perdemos a chance de abrir seis pontos sobre o segundo colocado, mesmo com um jogo a menos. Nós estávamos vencendo e deixamos a vitória escapar.
Mas Ronaldo tem estrela, fazer o quê? Por que ele marcaria seu primeiro gol na partida contra o Itumbiara se podia consagrar-se marcando contra o Palmeiras? Só sei que, até a entrada dele, aos 18 do segundo, o ataque corintiano não sabia o que fazer com a bola: não tinha ofensividade, não levava perigo, rifava bolas fáceis.
Depois que ele entrou, as coisas mudaram. Apesar de seu formato bujóide, Ronaldo deu objetividade ao ataque, arrancou aplausos e chegou a mandar uma bola na trave. Quando o juiz anunciou que daria quatro minutos de acréscimo, senti um arrepio. Se o Fenômeno estava crescendo em campo, aquele tempinho extra poderia ser o suficiente para que ele chegasse à consagração. Infelizmente, minhas previsões se concretizaram.
Mas tudo bem: não ganhamos do Corinthians, mas continuamos na liderança, com três pontos a mais e um jogo a menos. A ironia maior é que, ganhando apenas um ponto pelo empate contra o Palmeiras, o Corinthians poderia ser alcançado pelo São Paulo em número de pontos, mas ultrapassado em número de vitórias. Consequentemente, perderia o segundo lugar na tabela.
Só que o todo-poderoso São Paulo perdeu para o Mogi Mirim... Minha prima Cíntia deve ter rasgado aquela toalha de praia com a foto do Morumbi.


Aviso aos pacientes leitores: esta é a centésima postagem do blog Fala, Zanfra!

19 comentários:

Blog do Morani disse...

09/03/09

Meu caro Zanfra:

Mais uma vez uso o seu espaço para dar o meu recado, desta vez sobre o Fenômeno chamado Ronaldo.

Só não reconhece nele o sobejo do jogador técnico e guerreiro quem guarda rancores por amargarem seus times derrotados pelos pés desse jovem, que foi uma expressão do futebol nacional e internacional.

Infelizmente, para mim, observador de sua carreira, acho que Ronaldo chegou ao máximo em sua arte. Gostartia fosse o contrário, porém sinto que as suas pernas já não obedecem às ordens de seu cérebro, e que aquelas sérias contusões vão, de uma hora a outra, se evidenciar implacavelmente em determinado momento em uma partida. É preciso saber a hora de parar. Mas a mídia fanática pelo seu belo futebol (quem não tem essa vontade?)espera ansiosa vê-lo renascer como uma nova Phoenix. Oxalá seja assim, mas não se deve incutir em sua cabeça que ele continua o Fenômeno de antes. Pena, mas verdadeiro.

Obrigado e saudações rubro-negras.

Carlos Martí disse...

O jardim de inverno passa atualmente por uma reforma e a poltrona de vime, troquei pelo sofá da sala, desde onde ouvi a transmissão do segundo tempo inteirinho do jogo, via net. Isso sim, com a calefação desligada, para celebrar o que parece ser o definitivo final do inverno mais duro que vivemos na Europa. Quando Ronaldo entrou em campo, adivinhei o empate, só que arrisquei o minuto trinta e nove. O gol nos descontos, considerando que evitou a derrota para o maior rival, consolidou o produto Ronaldo - nunca se falou, nem se viu tanto o Corinthians por aqui, eterno clube de bairro, o mais "caipira" dentre os grandes paulistas. Como você pode ver, meu amigo, contra os desvios da tenra idade, a tolerância dos anos vividos. E parece que não sou o único: nunca imaginei ser capaz de presenciar nem a mínima demonstração de carinho ao alvinegro de outrora “xiïtas” periquitos, mesmo sendo por extensão ao "Fenômeno". Realmente, não me considero um fã do futebol de Ronaldo. Prefiro o toque refinado de alguns meio-campistas e aproveito para confessar outro dos meus desvios, minha doentia solidariedade com a solidão da meta. No entanto, sua volta aos campos brasileiros fez-me recordar imagens da minha infância. Foi num fim de semana, no campo do barrancão, do Jardim Líbano, em Pirituba em que vi o centro-avante do Palmeiras, César "Pantera" jogar por cortesia, já que ele era natural do bairro, no time de várzea local. Impressionou-me sua figura enorme, se comparado com resto de jogadores, imparável com a bola nos pés e capaz de disparar verdadeiros obuses. Irreverente e indisciplinado, aríete letal na área adversária, se bem que de certa técnica, César poderia ser considerado precursor do Fenômeno, se bem que a vida não lhe tenha brindado tantas chances. O certo é que corriam outros tempos, que a Europa ficava bem mais longe, algo que não impediu que seu companheiro de área Leivinha, o atacante mais elegante que já vi jogar e o grande Luisão Pereira se transformassem em ídolos “colchoneros”, apelido do Atlético de Madrid, até hoje. Uma vez mais, fica demonstrado que eu sempre soube reconhecer as virtudes dos meus adversários. A diferença é que hoje, sou capaz de expressá-las.
Um abraço
Carlos Marti

Marco Antonio Zanfra disse...

Só uma correção: o César era carioca, não nasceu em Pirituba. A ligação dele com o bairro era uma namorada, cujo nome se não me falha a memória era Célia, ou Sueli, que morava um pouco para baixo do Líbano, mais para a linha do trem. Naquela época, era comum vê-lo subindo a Mutinga a toda em seu Dodge Dart.

Carlos Martí disse...

Tem toda razão. Mais uma vez, reconheço as virtudes de uma memória invejável. Mas que César foi um prólogo do Ronaldo, isso foi. Dentro e fora de campo.

Carlos Martí disse...

Só mais uma coisa: parabéns pelo centésimo e muito obrigado por ter-me feito parte de tão significativo momento.
Abraço
Carlos Marti

Marco Antonio Zanfra disse...

Eu é que agradeço por sua participação. Quanto ao César ser um "prólogo" de Ronaldo, não me lembro de ter visto o "Maluco" envolver-se com travestis...

José Luiz Teixeira disse...

Prezado Zanfra, permita-me corrigi-lo: não é "curintcha" que se escreve; é "curintia".

abs são-paulinos

Anônimo disse...

Prezado Jornalista.
Que o Ronaldo é um craque, ninguem duvida, e que ele ainda é um craque e vale quanto pesa, e até um pouco mais, ficom provado no jogo contra o Palmeiras. Mas como você disse :_" Por que com o meu time?
Eu entendo muito bem o que você disse.
Eu tambem estou perguntando :"Porque logo agora e comigo?
Sou candidata a membro da Comissão Fiscal da APBA, e bem agora resolveram obedecer ao Estatuto.
Antes os associados que se afastavam deixando de pagar durante até 3 anos, querendo voltar, pagavam um ano de uma só vez, e voltavam como se nunca tivessem parado de ser associado. Agora o associado pode voltar, mas volta como se fosse associado novo e tem uma carencia de 6 meses para poder votar e ser votado.
Todos os meus eleitores estão nesta categoria. O pior é que a secretária é nova e o computador não esta funcionando, e ela não pode me enviar a relação dos associados aptos a votar, com seus endereços e telefone de contato. Se,m poder pedir votos acho que vou ter só o meu proprio voto.
Um grande abraço

Maria Gilka.

Marco Antonio Zanfra disse...

Tem aquele ditado, sempre tão atual: aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei.

Anônimo disse...

O #curintia# também parece ser um time predestinado a fazer renascer das cinzas verdadeiros craques. Quem não se lembra do dr.Sócrates?Se bem que o caso dele parece que não eram as lesões,mas a sagatiba - me perdoe a propaganda-.Eu desejo o melhor para esse moço,pois tudo que conquistou foi com seu talento e não faltaram chupins em sua vida.Que ele possa jogar,ainda,por muito tempo, pois mesmo com suas limitações físicas,ele sabe das coisas - futebol- que ele sirva de exemplo como é ter força de vontade,perseverança. Há de se ressaltar ainda que o futebol é jogado por 11. Que nenhum é menos importante, e isso vale para todos os times. O Ronaldo vai sempre precisar de alguém que jogue aquela bola com açucar e com afeto.Aliás.não foi à toa que o #curintia# fez uma série B impecável.

Cintia disse...

Fiquei toda feliz em ver o Fenomeno marcando seu golzinho e agitando a geral, cadeiradas, arquibancadas.. Confesse que nao teria o mesmo impacto se fosse contra o Itumbiara? Fico feliz que nao tenha sido contra meu Sao Paulo. Alias, todo novo comeco de campeonato me pergunto: sera agora o comeco da derrocada do Sao PAulo? Sim, pois tudo o que sobe, infelizmente, um dia desce..

Kim disse...

E o Carlos me fez lembrar do Leivinha! Eramos crianca, eu e a Aninha disputavamos o Leao, como namorado imaginario, as vezes ela ganhava, entao eu ficava com o Leivinha :)) Ah! O Rui ficava com a Regina Duarte :)) Contei!!

Cintia disse...

E parabéns pelo 100téesimo post!

Viva!

Magui disse...

Tem razão mas uma cois é certa:É um desaforo envelhecer.

Anônimo disse...

Como o Kim pode entregar-no parcialmente?Eu namorava a Regina Duarte mas não beijava o abacateiro.Contei também...
Rui

Anônimo disse...

Agora ninguém mais segura o "Fenômeno"!Também com aquele peso todo......
Rui/Marcello Zanfra

Marco Antonio Zanfra disse...

Beijar o abacateiro? Credo, parece que a coisa vai feder...

Fabiano Marques disse...

Como não torço nem pra um, nem pra outro, gostei mesmo de saber que é a centésima postagem no blog.
Parabéns!

Anônimo disse...

Zanfra,

Não sei se conhece a região da Savassi em Belo Horizonte. Em determinados dias você vê uma miss em cada quadra. Não me desfazendo das paulistas, porque nenhuma mulher merece ser desprezada, mas que a mulher mineira merece o seu devido lugar, isto não pode ser negado. Se cidades paulistas necessitarem de mais belas garotas para representá-las, aconselho-as vir encontrá-las em Minas ou lá no Rio Grande do Sul.